O presidente Lula cobrou fidelidade dos ministros do centrão durante reunião no Planalto, sugerindo que deixem o governo caso não defendam sua gestão. Ele destacou a polarização política, criticou atos de oposição e reforçou medidas econômicas e segurança pública. O encontro também apresentou o novo slogan do governo: “Governo brasileiro – do lado do povo brasileiro”, em tom nacionalista.
Em reunião marcada por tensão e cobranças diretas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confrontou nesta terça-feira (26) os ministros do centrão no Palácio do Planalto, exigindo lealdade e posicionamento claro em defesa de seu governo. O encontro teve como foco os ministros ligados ao União Brasil e ao Partido Progressista (PP), em meio a manifestações de oposição organizadas por seus próprios partidos.
Segundo relatos de participantes, Lula não hesitou ao falar:
“Se não se sentirem confortáveis para defender o governo, conversem comigo e, se for o caso, sigam seus próprios caminhos.”
O presidente lembrou eventos recentes, nos quais ministros presentes em atos da federação União Progressista não teriam se posicionado publicamente a favor da administração:
“Eu esperava que levantassem a mão para defender o governo. Se não fizerem isso, é porque não querem estar aqui.”
Lula também fez menção ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e à necessidade de decisões futuras:
“Ele será candidato à Presidência em 2026, e em algum momento quem ocupa cargos do Republicanos vai ter que decidir.”
O presidente ainda reforçou que não busca amizade pessoal com líderes do centrão, mas exige postura institucional:
“Não tenho pretensão de ser amigo de Antonio Rueda. Ele não gosta de mim e eu não gosto dele. Mas isso não impede o compromisso com o governo.”
Além das cobranças políticas, Lula enfatizou ações concretas a serem implementadas:
“Ricardo Lewandowski, precisamos garantir segurança para a população das periferias. Isso é prioridade.”
O encontro também trouxe tensão sobre a política econômica:
“Haddad, rezar pelo santo que baixe os juros”, comentou o ministro da Fazenda, em tom que alguns participantes interpretaram como crítica à condução do Banco Central.
A reunião marcou ainda a apresentação do novo slogan da gestão:
“Governo brasileiro – do lado do povo brasileiro”, explicou o ministro Sidônio Palmeira (Secom).
Durante o encontro, Lula e quase todos os ministros usaram bonés com a frase:
“O Brasil é dos brasileiros”, reforçando a postura nacionalista do governo frente à pressão internacional, como a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Ao final da reunião, ministros do União Brasil e do PP se aproximaram para conversas individuais com Lula, mas a mensagem do presidente foi clara: divergências públicas ou críticas abertas dentro do governo não serão toleradas. Como resumiu o próprio Lula:
“Não quero constranger ninguém, mas também não quero ser constrangido. Todos precisam ter consciência do papel que desempenham.”
Com o centrão dividido entre interesses eleitorais e alianças governistas, a postura firme de Lula sinaliza que a lealdade política é condição indispensável para permanecer no governo, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando e a polarização política em alta.
