E-mail de coronel da reserva à STF relatando acesso no LinkedIn levou à prisão preventiva do ex-assessor de Bolsonaro, Filipe Martins. A defesa negou o uso da conta, mas o STF entendeu que houve violação de medidas cautelares.

Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - Foto: reprodução/redes sociais
Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - Foto: reprodução/redes sociais

Um e-mail enviado pelo coronel aposentado da Aeronáutica e ex-integrante do Ministério da Educação (MEC) de Jair Bolsonaro, Ricardo Wagner Roquetti, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes culminou na prisão do ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins. Ele foi detido nesta sexta-feira (2), em Ponta Grossa, no Paraná.

O correio eletrônico foi enviado ao Gabinete do magistrado na segunda-feira (29), às 12h26, e culminou na conversão da prisão para preventiva, quatro dias depois, por descumprimento das medidas cautelares impostas por Moraes.

E-mail denunciou Filipe Martins

Por e-mail, Roquetti denunciou que seu perfil no LinkedIn havia sido visitado por Filipe Martins, detido em prisão domiciliar desde o último sábado (27).

“No dia 28/21/2025, ao acessar a funcionalidade do LinkedIn conhecida como “Quem viu seu perfil“, o sistema exibiu como visitante um perfil identificado como “Filipe Garcia Martins“. Eu não possuo relação com o referido indivíduo e não houve qualquer interação que justificasse tal visita”, relatou o coronel.

Roquetti ainda alegou que não poderia confirmar quem foi o responsável por utilizar o perfil de Filipe Martins para acessar a rede social, o que levou o ministro Alexandre de Moraes a questionar a defesa do ex-assessor.

No dia 30 de dezembro, Moraes determinou que a defesa explicasse, em até 24 horas, uma pesquisa feita na plataforma associada ao perfil de Martins. Os advogados negaram que ele tenha utilizado a rede e afirmaram que as contas do ex-assessor estariam sob gestão exclusiva da equipe jurídica. Mesmo com a justificativa apresentada, o STF entendeu que houve violação das condições impostas, o que motivou a ordem de prisão.

Condenação pela trama golpista

No mês passado, Martins foi condenado a 21 anos de prisão por participação direta na tentativa de golpe de Estado articulada após as eleições presidenciais de 2022. De acordo com a sentença, ele teve papel relevante na elaboração e apresentação da chamada “minuta do golpe”, documento que previa a adoção de medidas excepcionais para manter Bolsonaro no poder.

Apesar da condenação, Filipe Martins cumpria prisão domiciliar desde o último sábado (27). A conversão da medida para prisão preventiva ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes identificar indícios de descumprimento das cautelares impostas pela Justiça.

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