O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou aos Estados Unidos uma proposta para zerar as tarifas de importação de etanol e açúcar entre os dois países. Economistas ouvidos pelo R7 avaliam que a medida pode favorecer os produtores americanos e trazer prejuízos ao setor brasileiro.

Flávio Bolsonaro indica vice-presidente para a chapa (Foto: Saulo Cruz / Agência Senado)
Flávio Bolsonaro indica vice-presidente para a chapa (Foto: Saulo Cruz / Agência Senado)

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) uma proposta para eliminar as tarifas de importação de etanol e açúcar entre os dois países, em um modelo de reciprocidade conhecido como “zero a zero”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: Reprodução/ Rádio Itatiaia

O senador Flávio Bolsonaro (PL) – Foto: Reprodução/ Rádio Itatiaia

O documento foi protocolado na última quarta-feira (01) como parte de uma manifestação oficial em uma investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano.

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Proposta prevê reciprocidade

Na proposta, Flávio Bolsonaro destaca que atualmente existe uma diferença nas tarifas aplicadas pelos dois países. Enquanto o Brasil cobra 18% sobre o etanol importado dos Estados Unidos, os norte-americanos aplicam uma tarifa de 2,5% sobre o etanol brasileiro.

O senador argumenta que a abertura comercial poderia ampliar o acesso do etanol de cana brasileiro ao mercado americano, especialmente na Califórnia, onde há incentivos ao uso de combustíveis de menor emissão de carbono.

Economistas veem desvantagens

Economistas ouvidos pelo Portal R7 avaliam, porém, que o acordo pode trazer mais benefícios aos Estados Unidos do que ao Brasil.

O economista Hugo Garbe afirma que, nas condições atuais, o Brasil pode acabar concedendo mais vantagens do que recebendo em troca.

Segundo ele, o etanol brasileiro já consegue acessar o mercado californiano mesmo com a tarifa atualmente em vigor, o que reduz o impacto positivo da proposta.

Além disso, Garbe alerta que a retirada da tarifa de importação pode facilitar a entrada do etanol de milho americano, cuja produção recebe incentivos governamentais nos Estados Unidos.

Impacto também pode atingir o açúcar

A proposta também inclui o açúcar como parte do acordo de reciprocidade.

Para o economista César Bergo, a abertura desse mercado gera incertezas, já que os Estados Unidos mantêm mecanismos de proteção para sua produção açucareira por meio de cotas tarifárias.

Na avaliação do especialista, a medida pode aumentar a concorrência para produtores brasileiros e reduzir a arrecadação, caso não haja uma reciprocidade efetiva por parte dos norte-americanos.

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