Efeitos colaterais de medicamentos para Parkinson levaram um advogado de prenome Andrew, do Reino Unido, a desviar cerca de R$ 4 milhões de clientes após desenvolver comportamentos compulsivos ligados ao tratamento. O caso foi divulgado em reportagem da BBC e aponta que o profissional gastou o dinheiro com serviços sexuais, compras e antiguidades, reacendendo o debate sobre riscos comportamentais associados a medicamentos que estimulam a dopamina.
Efeitos colaterais de medicamentos para Parkinson levaram um advogado de prenome Andrew, do Reino Unido, a desviar cerca de R$ 4 milhões de clientes após desenvolver comportamentos compulsivos ligados ao tratamento. O caso foi divulgado em reportagem da BBC e aponta que o profissional gastou o dinheiro com serviços sexuais, compras e antiguidades, reacendendo o debate sobre riscos comportamentais associados a medicamentos que estimulam a dopamina.
Anos depois, um processo judicial apontou que as atitudes do advogado estavam ligadas ao uso do medicamento pramipexol, indicado para o tratamento da doença. O remédio estimula a produção de dopamina, substância responsável pelo controle motor, mas também relacionada ao prazer e recompensa.
Segundo especialistas, esse tipo de medicamento pode desencadear transtornos de controle de impulsos, como vício em pornografia, jogos de azar e compras compulsivas.
O NHS recomenda que pacientes que utilizam esse tipo de tratamento comuniquem qualquer alteração comportamental imediatamente aos médicos.
Impactos devastadores
De acordo com o relato da esposa, Frances, a família desconhecia os riscos do medicamento. Antes do tratamento, o advogado não apresentava histórico de comportamentos compulsivos. Após iniciar o uso, ele chegou a realizar centenas de pagamentos em plataformas de conteúdo adulto e gastou grandes quantias em colecionáveis.
Andrew foi condenado por fraude e cumpriu parte da pena na prisão HM Prison Manchester. O escândalo trouxe consequências graves para a família. O filho do casal enfrentou problemas psicológicos e morreu anos depois.
Após deixar a prisão, Andrew passou a viver em residência assistida e enfrentou agravamento dos sintomas da doença ao interromper o tratamento. Ele morreu em 2020.
Debate sobre alertas médicos
O caso reacendeu discussões sobre a necessidade de ampliar informações sobre efeitos colaterais desses medicamentos. A parlamentar britânica Layla Moran defende que os alertas descrevam com mais clareza a frequência e a gravidade dos transtornos impulsivos.
A farmacêutica GSK informou que seus medicamentos passaram por testes e foram aprovados por órgãos reguladores internacionais. Já o pramipexol é produzido pela Boehringer Ingelheim, que não comentou o caso.
Apesar das diretrizes mais recentes exigirem que médicos alertem pacientes e familiares sobre possíveis efeitos comportamentais, relatos indicam que muitos ainda desconhecem os riscos do tratamento.
Leia Mais no Bacci Notícias:
