O corpo de Júlia Eduarda, grávida de quatro meses, foi encontrado com uma bolsa na cabeça em uma área de mata no sítio Moura, em Sanharó. A jovem estava desaparecida há oito dias. Segundo o tio, o principal suspeito, pai do bebê e casado, segue foragido. Júlia deixa quatro filhos, um deles autista.

‘Ele dava dinheiro pra ela não contar à esposa que estava grávida dele’, diz tio de jovem encontrada morta

O corpo de Júlia Eduarda Andrade dos Santos, de 26 anos, foi encontrado na tarde desta quarta-feira (12) em uma área de vegetação densa no sítio Moura, zona rural de Sanharó, próximo ao distrito de Mulungu, a cerca de 15 km de São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco. A jovem, que estava grávida de quatro meses e era mãe de quatro filhos, foi localizada com uma bolsa enrolada na cabeça e vestindo um vestido diferente do que usava quando desapareceu.

O corpo foi encontrado após o irmão do principal suspeito — o pai do bebê que Júlia esperava — indicar o local onde a vítima havia sido deixada.

Em entrevista, o tio da vítima, Marcos Andrade, relatou a angústia da família e criticou a falta de prisões até o momento.

“A gente teve informação que ele tinha sido preso, ele e o irmão, estavam os dois irmãos envolvidos. Fui falar com o delegado e disse: ‘Se fosse sua filha, você ainda estaria aqui?’ Já tá com oito dias que a família tá desesperada”, desabafou.

Segundo Marcos, Júlia saiu de casa no dia 5 de novembro, por volta das 7h30 da manhã, para se encontrar com o homem que seria o pai do bebê.

“Ela saiu pra pegar o dinheiro da ultrassom. Ele disse que dava o dinheiro, mas pediu pra ela não contar pra esposa dele, porque ele é casado. Aquele safado é casado”, afirmou indignado.

De acordo com o familiar, o suspeito é casado e tentava esconder a gravidez da jovem. “Ele dava o dinheiro pra ela pra ela não falar pra esposa dele, que tava escondendo. Ele é casado”, revelou o tio, emocionado. Revoltado, ele completou: “Aquele safado é casado, mas aquele bandido vai ser encontrado, se prepara, viu?”

O tio destacou ainda que Júlia deixou quatro filhos pequenos, um deles com transtorno do espectro autista.

“O mais novo é autista. As crianças só perguntavam: ‘Cadê mãe? Cadê mãe?’. Tá todo mundo desesperado. A família vai se unir pra pedir ajuda e cuidar dos meninos”, contou emocionado.

Para Marcos, o crime tirou duas vidas: a da sobrinha e a do bebê que ela esperava.

“Além de matarem a Júlia, mataram a criança que ela tava gerando. Duas vidas foram tiradas.”

O corpo, já em estado avançado de decomposição, foi removido do local e encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. A suspeita inicial é de que a jovem tenha sido morta no mesmo dia em que desapareceu.

A Polícia Civil segue investigando o caso como feminicídio, e o principal suspeito continua foragido.

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