O fluxo de migrantes venezuelanos para o Brasil aumentou significativamente após as eleições municipais na Venezuela, em julho, que deram vitória expressiva ao partido de Nicolás Maduro. Em Pacaraima (RR), principal porta de entrada do país, a média diária de atendimentos pela Cáritas Brasileira subiu de 150 para 350 em agosto. A estrutura Padre Edy oferece banheiros, duchas, lavanderia e bebedouro, ao lado do posto de regularização migratória da Operação Acolhida.
Desde 2015, mais de 1 milhão de venezuelanos entraram no Brasil, com 53% chegando por Roraima no primeiro semestre de 2025. O governo brasileiro mantém protocolos de emergência para atender o aumento súbito de migrantes.
O fluxo de migrantes venezuelanos na fronteira com o Brasil aumentou significativamente após as eleições municipais realizadas na Venezuela em julho, nas quais o partido de Nicolás Maduro (PSUV) conquistou a maioria das prefeituras, incluindo 23 das 24 capitais.
Em Pacaraima, cidade que serve como principal porta de entrada para o Brasil, a média diária de atendimentos realizados pela Cáritas Brasileira, organização que presta apoio a migrantes, subiu de 150 para 350 em agosto, mais que o dobro do registrado no primeiro semestre do ano.
Segundo Luz Tremaria, coordenadora da Cáritas em Pacaraima, em entrevista ao G1, o aumento está diretamente ligado à situação política na Venezuela. “Notamos que, após as eleições, o fluxo cresceu ainda mais. Muitos relatam falta de esperança em mudanças políticas, já que o governo de Maduro se manteve. Eles acreditam que no Brasil terão uma vida melhor”, afirmou.
A estrutura Padre Edy, administrada pela Cáritas, oferece gratuitamente banheiros, duchas, fraldários, lavanderia e bebedouro com água potável, ao lado do posto de regularização migratória operado pela Operação Acolhida, força-tarefa liderada pelo Exército com apoio de organizações sociais.
Até 20 de agosto, a Cáritas realizou 17.212 atendimentos, quase 6 mil a mais do que em todo o mês de julho (11.236), com um salto diário de 400 para 860 atendimentos considerando migrantes novos e já estabelecidos no Brasil. Além de Pacaraima, a organização também mantém instalações em Boa Vista, todas registrando aumento no número de atendimentos.
A migração venezuelana para o Brasil começou em 2015 e transformou Roraima na principal porta de entrada. Desde então, mais de 1 milhão de pessoas cruzaram a fronteira, atraídas pela política brasileira de acolhimento e interiorização. No primeiro semestre de 2025, 96.199 venezuelanos chegaram ao país, sendo 53% por Roraima, um aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Wellthon Leal, assessor nacional da Cáritas, ressaltou que o crescimento recente do fluxo após o último processo eleitoral na Venezuela “não parece ser algo temporário e pegou todos de surpresa”.
O governo brasileiro, por meio da Casa Civil, informou que a Operação Acolhida possui protocolos específicos para situações de aumento súbito na entrada de migrantes e refugiados, garantindo apoio emergencial a quem chega ao país.
