Elon Musk anunciou que a SpaceX colocou a colonização de Marte em segundo plano e passou a priorizar a construção de uma cidade na Lua. Segundo o empresário, a criação de um assentamento lunar seria mais rápida e poderia ocorrer em menos de uma década. Musk argumenta que a logística favorece a Lua, já que lançamentos podem ocorrer com mais frequência do que missões a Marte. Apesar da mudança de foco, o bilionário afirma que o projeto marciano não foi abandonado e segue nos planos de longo prazo.

Elon Musk desiste de colonizar Marte e quer construir cidade na Lua. Imagem gerada por IA
Elon Musk desiste de colonizar Marte e quer construir cidade na Lua. Imagem gerada por IA

O empresário Elon Musk afirmou que a ambição de colonizar Marte ficou temporariamente em segundo plano. Agora, o foco da SpaceX passa a ser a construção de uma “cidade em crescimento próprio” na Lua, considerada por ele um objetivo mais rápido e viável para garantir o futuro da civilização humana.

O anúncio foi feito no último domingo (8), por meio de uma publicação no X, antigo Twitter. Segundo Musk, uma cidade lunar poderia ser estabelecida em menos de dez anos, enquanto um projeto semelhante em Marte levaria mais de duas décadas para se tornar realidade. “A prioridade principal é garantir o futuro da civilização e a Lua é mais rápida”, escreveu.

O bilionário destacou as diferenças logísticas entre as missões espaciais. De acordo com ele, viagens a Marte só são possíveis quando os planetas se alinham a cada 26 meses, com duração aproximada de seis meses. Já missões à Lua poderiam ser realizadas a cada dez dias, com trajetos de cerca de dois dias. Apesar do anúncio, Musk não detalhou o que exatamente entende por uma “cidade em crescimento próprio” nem confirmou se o plano está alinhado a projetos semelhantes da Nasa.

Planos para Marte seguem vivos

Mesmo com a mudança de prioridade, Musk afirmou que a SpaceX segue comprometida com a colonização de Marte e que pretende iniciar esse processo entre cinco e sete anos. Em maio do ano passado, ele havia declarado que a empresa trabalhava para pousar a primeira nave estelar não tripulada no planeta vermelho até o fim de 2026.

A revisão das previsões espaciais ocorre poucos dias após a SpaceX adquirir a xAI, empresa de inteligência artificial também fundada por Musk. A operação une duas de suas companhias mais ambiciosas e fortalece o conglomerado privado liderado pelo empresário.

Desde a fundação da SpaceX, em 2002, Musk sempre afirmou que o objetivo central da empresa era estabelecer uma presença humana permanente em Marte. Em eventos e conferências, ele defendeu que uma colônia no planeta vermelho seria essencial para garantir a sobrevivência da humanidade diante de possíveis catástrofes globais.

Enquanto isso, a Nasa mantém o foco na exploração lunar. A agência trabalha atualmente para levar astronautas de volta à superfície da Lua até 2028, marco que encerraria um hiato iniciado com o fim do programa Apollo, em 1972. O retorno está previsto dentro do programa Artemis.

Curiosamente, Musk já criticou publicamente o programa lunar da Nasa no passado, chamando-o de “distração” e defendendo que a exploração deveria seguir diretamente para Marte. A mudança de discurso acontece em meio a um período de maior envolvimento político do empresário, que investiu milhões de dólares na eleição presidencial dos Estados Unidos e mantém relações próximas com membros do atual governo.

A SpaceX possui um contrato de quase 3 bilhões de dólares com a Nasa para desenvolver o módulo lunar da missão Artemis III, que deverá transportar astronautas até a superfície da Lua. O projeto prevê o uso da nave Starship, considerada a maior espaçonave já construída, mas que ainda enfrenta desafios técnicos e falhas em testes.

O papel da Starship no programa Artemis tem sido alvo de críticas e controvérias. Autoridades já questionaram se a SpaceX conseguirá cumprir os prazos previstos, enquanto empresas concorrentes, como a Blue Origin, também disputam espaço no desenvolvimento de módulos lunares.

A declaração de Musk sobre o novo foco lunar ocorre às vésperas do lançamento da missão Artemis II, prevista para março. A missão levará quatro astronautas para uma viagem ao redor da Lua, sem pouso, servindo como etapa preparatória para a futura missão Artemis III, que deve marcar o retorno do homem à superfície lunar.

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