O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que o Natal será comemorado a partir de 1º de outubro pelo segundo ano consecutivo. A decisão ocorre em meio a tensões militares com os EUA, que enviaram navios e caças de guerra ao Caribe. Especialistas avaliam que a antecipação pode ser uma estratégia para desviar a atenção da crise interna.
Pelo segundo ano consecutivo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decidiu antecipar as comemorações de Natal para 1º de outubro. O anúncio foi feito durante uma transmissão na VTV, emissora estatal do país, nesta segunda-feira (8).
“Com alegria, comércio, atividade, cultura, canções natalinas, gaitas… É a maneira de defender a felicidade, o direito à felicidade, o direito à alegria”, declarou Maduro. “Ninguém e nada neste mundo tirará nosso direito à felicidade, à vida e à alegria”, completou.
A medida acontece em meio às crescentes tensões no mar do Caribe. Nas últimas semanas, o conflito entre Maduro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se intensificou. O governo americano enviou navios de guerra para o litoral venezuelano, justificando a ação como parte de uma operação para combater grupos de narcotraficantes sul-americanos.
Na última semana, a operação foi reforçada com o envio de 10 caças de guerra F-35 para a região. Maduro, por sua vez, pediu publicamente que os EUA reduzam as tensões militares, alertando para o risco de um “conflito de grande impacto” no Caribe.
Tentativa de distração
Esta não é a primeira vez que Maduro antecipa o Natal no país. Além de 2024, quando também escolheu 1º de outubro para iniciar as comemorações, o presidente venezuelano já havia adotado a mesma estratégia em 2020 e 2013.
No ano passado, o líder chavista justificou a decisão como uma forma de estimular a economia e “celebrar a felicidade do povo”, após encerrar agosto com “boas perspectivas financeiras”. Porém, analistas e opositores apontaram que a medida tinha como objetivo distrair a população em meio às contestações sobre o resultado das eleições presidenciais.
Com a antecipação, a Venezuela terá, novamente, mais de três meses de festividades natalinas, enquanto o país enfrenta pressões políticas, econômicas e diplomáticas.
