Três empresários paulistas foram condenados por liderar um esquema que fraudava empresas em crise, causando prejuízo superior a R$ 39 milhões. Anderson de Oliveira, Cristiano de Oliveira e Ricardo Avilez usavam carros de luxo e escritórios em bairros nobres para atrair vítimas. A Justiça concluiu que o grupo desviava recursos das companhias adquiridas e as levava à falência.
Apresentando-se como empresários de sucesso, com reuniões em restaurantes de luxo e carros importados, três homens criaram um império de aparências para aplicar golpes em empresas endividadas. Anderson de Oliveira, 47 anos, Cristiano de Oliveira, 45, e Ricardo Avilez, 45, foram condenados pela Justiça paulista em outubro por liderarem uma organização criminosa que causou prejuízos de mais de R$ 39 milhões.
Segundo a investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, o grupo agia desde 2010 por meio da AJC Group (All Jaber Company), que se apresentava como o “maior fundo distressed business do Brasil”, especializado em adquirir empresas em dificuldades financeiras para recuperá-las. Na prática, porém, o trio esgotava os recursos das companhias, desviava valores e as deixava à beira da falência.
O juiz Guilherme Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, destacou na sentença que os atos do grupo “trouxeram consequências catastróficas, levando diversas empresas à falência, gerando desemprego e causando prejuízos milionários”.
A investigação revelou que os acusados criaram mais de 50 empresas de fachada para esconder a origem do dinheiro e os reais responsáveis pelas transações. Para conquistar a confiança das vítimas, alugavam escritórios em endereços renomados, como as avenidas Faria Lima e Berrini, e circulavam com automóveis de luxo.
O primeiro golpe registrado foi em 2010, com a compra da padaria Padoca do Anão por R$ 5 milhões. O pagamento nunca foi feito. Em vez disso, o grupo redirecionou o faturamento das vendas para uma conta de outra empresa, deixando o verdadeiro dono sem receber.
Outros casos semelhantes se repetiram. A empresa Serro Pedras Naturais foi uma das vítimas, com prejuízo de R$ 600 mil. Já a Devemada Engenharia, com 22 anos de atuação, foi comprada por cerca de R$ 21,6 milhões em 35 parcelas — nenhuma delas quitada. A companhia acabou inviabilizada.
Os promotores Frederico Silva, Lorena Ciampone e Rafael Hayashi afirmaram que o grupo mantinha um padrão de ostentação e discurso técnico sofisticado para enganar empresários fragilizados financeiramente.
Anderson, Cristiano e Ricardo chegaram a ter a prisão preventiva decretada em 2022, mas atualmente recorrem em liberdade. Segundo o juiz, eles “deliberadamente saqueavam os ativos das empresas adquiridas, desviando recursos, demitindo funcionários e deixando um rastro de prejuízos”.
