Três empresários foram presos em Joinville (SC) suspeitos de desviar mais de R$ 4 milhões em doações feitas por meio das contas de energia elétrica. O esquema, investigado pela Polícia Civil na operação “Falso Samaritano”, afetou hospitais filantrópicos de Blumenau, Brusque e Joinville, além da Celesc, usada de forma fraudulenta.

Empresários desviam mais de R$ 4 milhões em doações de hospital; entenda
Empresários desviam mais de R$ 4 milhões em doações de hospital; entenda

Três empresários foram presos em Joinville (SC) nesta sexta-feira (5), suspeitos de integrar um esquema que desviou mais de R$ 4 milhões em doações destinadas a hospitais do estado. A operação da Polícia Civil, batizada de “Falso Samaritano”, cumpriu ainda 16 mandados de busca e apreensão em Joinville, Florianópolis, Brusque e Blumenau.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, empresas intermediárias desviavam valores que deveriam ser destinados a hospitais por meio das faturas de energia elétrica da Celesc. Em alguns casos, os consumidores sequer tinham autorizado o desconto, mas eram cobrados mesmo assim.

Os valores arrecadados não chegavam às instituições de saúde: dos milhões desviados em dois anos e meio, apenas cerca de R$ 800 mil foram efetivamente repassados. Estima-se que 8 mil unidades consumidoras tenham sido afetadas.

Durante a operação, quatro veículos foram apreendidos, avaliados em quase R$ 1 milhão.

Hospitais prejudicados

Entre os hospitais atingidos pelo desvio estão:

  • Hospital Misericórdia (Blumenau)

  • Hospital de Azambuja (Brusque)

  • Hospital Bethesda (Joinville)

Em Florianópolis, a própria Celesc também foi considerada vítima, já que os criminosos usaram o sistema de arrecadação de forma fraudulenta.

A denúncia partiu de hospital

Segundo o diretor do Hospital Bethesda, Lúcio Slovinski, foi a própria instituição que levou o caso à polícia após identificar inconsistências.

“Identificamos que pessoas doavam em nosso nome, mas na fatura de energia não constava o nosso hospital. Esses valores eram desviados para empresas. Fizemos a denúncia porque chegamos até aqui graças à confiança da comunidade”, afirmou.

O hospital reforçou em nota que também foi vítima da fraude e que atualmente todas as doações são fiscalizadas internamente.

Quem são os investigados

Entre os presos está Slaviero Mario Bunn, dono da empresa Slavero Benefits Informática Ltda., apontada como intermediadora das doações. Outro investigado é Ronaldo Dutra, ligado ao chamado Grupo de Escoteiros Mirins de Joinville, que recebia parte do dinheiro desviado.

A União dos Escoteiros do Brasil (UEB) se manifestou dizendo que o grupo mencionado não possui qualquer vínculo com a instituição.

O terceiro suspeito não teve a identidade revelada. Eles devem responder por estelionato eletrônico, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O que dizem as instituições envolvidas

  • Hospital Bethesda: afirmou lamentar que recursos destinados ao cuidado da população tenham sido alvo de fraude, e reforçou que agora a fiscalização é rigorosa.

  • Celesc: informou que apenas faz a arrecadação das doações autorizadas e repassa integralmente às entidades conveniadas. A companhia também se considera vítima e colabora com a investigação.

  • UEB: declarou que não reconhece o grupo de escoteiros citado e destacou os valores de transparência e integridade da instituição oficial.

A Polícia Civil segue investigando a participação de outras pessoas no esquema e a real dimensão do desvio.

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