Uma nova imagem de Francisco de Assis Pereira, o “Maníaco do Parque”, mostra o criminoso completamente transformado, com sobrepeso e sem dentes, quase 30 anos após a prisão dele, 1998. A alteração física está ligada a uma condição rara chamada amelogênese imperfeita, que compromete o esmalte dentário e deixa os dentes frágeis, manchados e propensos a quebras.
Quase três décadas após ser condenado a 280 anos de prisão pelos assassinatos e estupros de mulheres no Parque do Estado, na zona sul de São Paulo, Francisco de Assis Pereira é hoje praticamente irreconhecível. Uma nova foto, registrada durante recadastramento na Penitenciária de Iaras, revela o homem com dentes completamente danificados, resultado da amelogênese imperfeita (AI), uma doença genética rara que afeta a formação e resistência do esmalte dentário.
De acordo com o National Institute of Health, a condição atinge cerca de uma pessoa a cada 14 mil nos Estados Unidos e pode afetar tanto dentes de leite quanto permanentes. A AI pode ser hereditária ou surgir por mutações genéticas novas, mesmo sem histórico familiar.
O esmalte dentário saudável funciona como uma camada protetora natural contra cáries, desgaste e sensibilidade provocada por alimentos e bebidas quentes ou frios. Sem essa proteção, como ocorre na AI, os dentes ficam mais frágeis, manchados, com sulcos e fissuras, aumentando o risco de dor e complicações como cáries precoces e doenças periodontais.

A amelogênese imperfeita se manifesta em quatro tipos principais:
Hipoplásica: dentes pequenos ou normais, desalinhados e manchados, com esmalte fino ou mole.
Hipomaturada: esmalte de espessura normal, mas com tendência a lascas, superfície áspera e coloração de branco opaco a castanho, frequentemente associada à mordida aberta.
Hipocalcificada: esmalte macio e frágil, também com mordida aberta, coloração variável e sensibilidade.
Hipoplásica-hipomaturada com taurodontismo: esmalte fino e mole, dentes manchados e frágeis.
O tratamento varia conforme o tipo de AI, podendo incluir coroas, restaurações adesivas, implantes dentários e aparelhos ortodônticos para correção da mordida. Além disso, a higiene bucal rigorosa é fundamental, com escovação regular e uso de limpadores interdentais para reduzir o risco de cáries e doenças gengivais.
A doença explica por que Francisco de Assis Pereira aparece tão diferente das fotos divulgadas na época de sua prisão. Apesar das alterações físicas, ele segue cumprindo pena na Penitenciária de Iaras e deve atingir, em 2028, 30 anos de cumprimento máximo de prisão em regime fechado, conforme a legislação vigente à época da condenação.