Seis ativistas brasileiros e a sueca Greta Thunberg tiveram suas embarcações interceptadas por forças navais de Israel nesta quarta-feira (1º), enquanto participavam da Flotilha Global Sumud, que levava remédios e alimentos a Gaza. As abordagens ocorreram em águas internacionais, e o contato com a tripulação foi perdido temporariamente. Israel afirmou que o grupo violava um bloqueio naval legal e ofereceu alternativas para entrega segura da ajuda. A missão humanitária reúne mais de 40 barcos e cerca de 500 pessoas e busca romper o bloqueio israelense ao território palestino. Não há informações confirmadas sobre a situação dos brasileiros detidos, e o Itamaraty ainda não se pronunciou.
Duas embarcações com seis ativistas brasileiros que participavam da Flotilha Global Sumud foram interceptadas por Israel nesta quarta-feira (1º), enquanto navegavam rumo à Faixa de Gaza com remédios e alimentos. Em um dos navios estava a ativista sueca Greta Thunberg.
A flotilha consiste em um conjunto organizado de barcos civis que viajam em coordenação, formando uma espécie de “comboio no mar”, com o objetivo de levar ajuda humanitária a Gaza e romper o bloqueio imposto por Israel. Segundo os organizadores, o grupo reúne mais de 40 embarcações e cerca de 500 pessoas, incluindo parlamentares, advogados e ativistas.
De acordo com relatos publicados pelas próprias organizações da flotilha, a embarcação Sirius Haifa, onde estava a vereadora de Campinas (SP) Mariana Conti, foi abordada em águas internacionais por navios da Marinha israelense. Após a interceptação, transmissões ao vivo foram interrompidas e o contato com a tripulação foi perdido. Mais cedo, outra embarcação chamada Alma, que levava Greta Thunberg e o ativista brasileiro Thiago Ávila, também foi abordada.
Os ativistas brasileiros presentes eram Bruno Sperb Rocha, Lisiane Penca Severo, Magno de Carvalho Costa, Mariana Conti Takahashi, Thiago Ávila e Gabriela Tolotti. Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo PSol, havia publicado informações sobre a missão humanitária dias antes e relatou o momento da interceptação em transmissão ao vivo pelo Instagram.
Em entrevista à agência Reuters, Thiago Ávila descreveu a ação das forças israelenses.“Seis minutos a circular o nosso barco com toda a nossa equipe em nível máximo de alerta para uma intercepção e depois um ataque, o barco mudou de rumo e foi para o Sirius, que é o segundo barco na frente da nossa flotilha. Quando chegou ao Sirius, eles fizeram exatamente a mesma coisa. Uma manobra muito perigosa na frente da proa do barco, por milagre também não colidiu com o barco, e então começou a circular o barco também, por cerca de 15 minutos, até que finalmente se afastou e desapareceu.“
A deputada federal Sâmia Bonfim (PSol) fez um apelo às autoridades brasileiras para que intervenham em favor do retorno seguro dos ativistas. Até o momento, não há informações oficiais sobre a situação dos brasileiros detidos, e o Itamaraty ainda não se pronunciou.
Posição de Israel
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que a flotilha foi alertada sobre a aproximação de uma “zona de combate ativa” e que estaria violando um bloqueio naval considerado legal pelo país. Israel disse ainda que ofereceu à organização a opção de redirecionar a ajuda para Gaza “por canais seguros e pacíficos”.
O bloqueio marítimo à Faixa de Gaza é criticado por organizações internacionais, que o consideram um cerco que agrava a crise humanitária, enquanto Israel afirma que a medida é necessária para impedir o envio de armas ao Hamas.
Histórico de interceptações
Este não é o primeiro episódio envolvendo Greta Thunberg e o ativista Thiago Ávila em missões humanitárias a Gaza. Em junho deste ano, o navio Madleen, da Freedom Flotilla Coalition, também foi interceptado por Israel enquanto transportava ajuda. Na ocasião, os ativistas relataram ataques com drones e o uso de uma substância branca lançada sobre o convés do navio, além de bloqueio das comunicações.
Em ambas as situações, os organizadores reforçam que a missão tem caráter exclusivamente humanitário, com o objetivo de levar insumos básicos à população de Gaza em meio à guerra e romper o bloqueio israelense.
