A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar a disseminação de fake news que acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de transfobia.

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A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar a disseminação de fake news que acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de transfobia. A iniciativa tem como foco a circulação de vídeos descontextualizados de um discurso do presidente durante um evento oficial realizado no Rio de Janeiro.

O pedido foi protocolado no domingo (19) junto à Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia. Segundo a parlamentar, há indícios da atuação de uma rede coordenada de desinformação responsável por distorcer o conteúdo da fala presidencial e criar uma narrativa falsa sobre o episódio.

Origem da controvérsia

A polêmica teve início após uma cerimônia realizada na sexta-feira (16), em alusão aos 90 anos do salário-mínimo e ao lançamento de uma medalha comemorativa da política pública. Durante o evento, Lula discursava sobre os riscos do uso da inteligência artificial, especialmente na criação de imagens falsas sem consentimento.

Um trecho específico da fala passou a circular nas redes sociais de forma isolada. No recorte divulgado, o presidente utiliza um pronome masculino ao se referir a uma pessoa chamada “Erika”, o que levou parlamentares e influenciadores a sugerirem que ele estaria se referindo à deputada Erika Hilton, gerando acusações de transfobia.

Reação e esclarecimento da deputada

Diante da repercussão, Erika Hilton se manifestou publicamente para rebater as acusações. Ela afirmou que não estava presente no evento e que o presidente não se referia a ela.

“Não, o presidente Lula não me chamou de ‘ele’ durante um evento no Rio de Janeiro. Porque eu literalmente não estava nesse evento. Há dias, estou no interior de São Paulo”, declarou.

A deputada explicou ainda que o presidente conversava com uma pessoa da plateia e que o uso do nome não tinha relação com sua figura. Ela destacou que existem outras mulheres chamadas Erika e que o trecho foi retirado de contexto.

Discurso sobre inteligência artificial

Segundo Erika Hilton, o foco central da fala de Lula era o alerta sobre os riscos do uso da inteligência artificial para a produção de conteúdos ilegais, como pornografia sem consentimento e até material envolvendo crianças e adolescentes.

Para a parlamentar, esse ponto foi ignorado por adversários políticos, que teriam explorado o episódio para promover desinformação e reforçar discursos preconceituosos.

“Pros bolsonaristas, isso não parece ser um problema. Pra eles, problema é gente trans existir”, afirmou.

Pedido à AGU e impacto das publicações

No documento encaminhado à AGU, Erika Hilton sustenta que a acusação de transfobia é materialmente impossível, uma vez que ela não estava no local do evento. Um levantamento técnico realizado pelo mandato aponta que apenas uma amostra dos conteúdos identificados alcançou 9.417.345 visualizações em menos de 24 horas.

As publicações circularam em plataformas como Instagram, YouTube, TikTok, X e Facebook. Algumas postagens individuais registraram milhões de visualizações, o que, segundo a deputada, indica alto grau de coordenação e potencial de dano institucional.

Solicitações e providências

Erika Hilton afirmou que a disseminação deliberada das fake news atinge não apenas a honra do presidente da República, mas também compromete a integridade da informação pública, alimenta discursos de ódio contra pessoas trans e fragiliza a confiança nas instituições democráticas.

No pedido, a parlamentar solicita a responsabilização dos envolvidos, a remoção imediata dos conteúdos considerados falsos, retratação pública e a adoção de medidas administrativas e judiciais para impedir novas ofensivas de desinformação.

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