A crise política que tomou conta do Nepal nesta semana teve um desfecho trágico na terça-feira (9). Rajyalaxmi Chitrakar, esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal, morreu após sofrer queimaduras graves quando manifestantes incendiaram a residência da família em Katmandu.

Incêndio atinge um dos principais prédios do governo, o Singha Durbar  (Foto: ANUP OJHA)
Incêndio atinge um dos principais prédios do governo, o Singha Durbar (Foto: ANUP OJHA)

A crise política que tomou conta do Nepal nesta semana teve um desfecho trágico na terça-feira (9). Rajyalaxmi Chitrakar, esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal, morreu após sofrer queimaduras graves quando manifestantes incendiaram a residência da família em Katmandu.

Segundo a imprensa local, manifestantes atearam fogo na casa em Dallu, região nobre da capital, com a mulher de Jhalanath Khanal dentro. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital de Queimados de Kirtipur em estado crítico, mas não sobreviveu. Médicos informaram que as queimaduras atingiram órgãos internos, incluindo os pulmões.

Rajyalaxmi Chitrakar, esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal, foi morta após manifestantes incendiarem a casa onde estava (Foto: Reprodução)

Escalada da violência

O ataque ocorreu em meio a uma onda de protestos que começou após o governo bloquear 26 redes sociais, entre elas Facebook, X (antigo Twitter), YouTube e LinkedIn. A decisão, tomada na última quinta-feira (4), gerou revolta principalmente entre jovens, que representam quase metade da população nepalesa.

Imagens divulgadas nas redes mostraram o contraste entre o padrão de vida da elite política e a realidade enfrentada pela maioria da população, aumentando a indignação. Na segunda-feira (8), milhares de manifestantes tomaram as ruas de Katmandu e de outras cidades, e a repressão policial resultou em pelo menos 19 mortos e mais de 100 feridos.

Além de residências de políticos, prédios do Parlamento, da Suprema Corte e do complexo administrativo Singha Durbar foram atacados e incendiados. Até hotéis de luxo e aeroportos sofreram danos, e voos chegaram a ser cancelados devido à fumaça na capital.

Queda do governo

Diante do agravamento da crise, o primeiro-ministro KP Sharma Oli anunciou sua renúncia no mesmo dia da morte de Rajyalaxmi. Oli declarou que a decisão foi tomada para “abrir espaço a uma solução política”. Mesmo assim, os protestos continuaram e a violência se intensificou.

Logo após a renúncia, o bloqueio às redes sociais foi suspenso e as plataformas voltaram a funcionar no país. Ainda não há informações sobre prisões relacionadas ao incêndio que vitimou a esposa do ex-premiê.

Especialistas apontam que, além da proibição das redes, denúncias de corrupção e o desemprego elevado entre os jovens foram fatores determinantes para a explosão de insatisfação que tomou as ruas do Nepal.

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