Uma operação policial em Niterói desmantelou um esquema de fraude religiosa liderado por um falso pastor, que se considera um “profeta”. Luiz Henrique Santini usava um call center e prometia curas e bênçãos em troca de transferências via Pix. Além da prisão do líder do grupo, um advogado explica que as doações podem ser recuperadas judicialmente, por terem sido feitas sob coação.

Imagens-Reprodução: Redes Sociais
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A Operação Blasfêmia, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, desmantelou um esquema de fraude que operava sob a fachada de uma igreja em Niterói. Entre os itens apreendidos, um caderno com nomes de fiéis, quadros de metas e a expressão “Pix da Vitória”, detalham o funcionamento do golpe. O líder da organização, Luiz Henrique Santini, se apresentava como pastor da Igreja Casa dos Milagres.

Call Center religioso

A investigação da 76ª DP revelou que o grupo operava um call center no centro da cidade. Funcionários eram contratados por meio de anúncios online e treinados para se passar pelo pastor da igreja. Os atendentes utilizavam áudios pré-gravados para prometer milagres, curas e bençãos aos fiéis em troca de dinheiro.

Quadros de acompanhamento mostravam metas de arrecadação, com a exigência de que pelo menos dez atendentes obtivessem R$500,00 por dia. Cada transferência via pix era registrado como um passo para a “vitória” do fiel. Um “caderno de oração”, também foi apreendido, lá estava listado os nomes de pessoas que transferiam valores entre R$20 e R$1,5 mil, dependendo da benção prometida.

IGREJA CDM

Imagem-Reprodução: Internet

Investigação

Segundo a investigação da Polícia Civil, o call center chegou a empregar 42 pessoas simultaneamente, todas fingindo ser o pastor. Os funcionários recebiam por comissão e eram demitidos se não atingissem as metas estabelecidas pela gestão da empresa. Para movimentar os mais de R$ 3 milhões arrecadados em dois anos, a quadrilha usava uma rede de contas bancárias em nome de terceiros.

A investigação teve início em fevereiro, quando a polícia encontrou o call center em funcionamento. Foram apreendidos celulares, notebooks e chips de telefonia, que confirmaram o alcance nacional do golpe.

Imagem-Reprodução: Arquivo Metropóles

Doações podem ser anuladas

Atualmente, Luiz Henrique Santini e outros 22 envolvidos foram denunciados. O pastor passou a usar tornozeleira eletrônica, e o bloqueio de suas contas e bens busca ressarcir as vítimas.

Para o BacciNoticias, o Dr. Frederico Moraes explica que as doações feitas aos golpistas religiosos, como o falso profeta, podem ser anuladas na Justiça. O motivo é que esse tipo de ato configura um vício de consentimento, especificamente a coação, configurando por um erro substancial, ou seja, o ato não teria sido realizado caso a parte soubesse a verdade.

Segundo o advogado, para que o negócio jurídico da doação seja anulado, é preciso comprovar que a vítima agiu sob ameaça grave, injusta e iminente, sendo essa a causa principal da doação. O advogado, exemplifica a coação com ameaças de que a pessoa perderia seus bens ou a família sofreria alguma represália ou que seria castigada por uma punição divina ou algo do gênero que configure uma coação. Para invalidar a doação, é necessário apresentar provas substanciais da coação, tias como documentos e testemunhas em um processo judicial.

Em atualização*

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