A esteticista investigada em São João de Meriti (RJ) continua foragida da Justiça após ser denunciada por 22 ex-pacientes que afirmam ter sofrido sequelas graves em procedimentos estéticos. As investigações apontam que ela anunciava aplicações de ácido hialurônico, mas utilizava PMMA, substância proibida para fins estéticos. Algumas vítimas relatam infecções, dores intensas e a necessidade de cirurgias de alto custo para remover o material aplicado.

Ana Paula em vídeo divulgado nas redes sociais (Foto: Reprodução/ TV Globo)
Ana Paula em vídeo divulgado nas redes sociais (Foto: Reprodução/ TV Globo)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro continua à procura de Ana Paula Lima de Souza Mariano, proprietária de uma clínica de estética em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, denunciada por dezenas de ex-pacientes que afirmam ter sofrido graves complicações após procedimentos realizados no estabelecimento.

esteticista Ana Paula Lima de Souza Mariano

Ana Paula Lima de Souza Mariano (Foto: Reprodução / TV Globo)

Até o momento, 22 pessoas formalizaram denúncias contra a empresária, que é considerada foragida da Justiça.

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Depoimentos relatam sequelas graves

Com a repercussão do caso, novas vítimas passaram a procurar a Delegacia do Consumidor (Decon) para relatar problemas semelhantes. Os depoimentos descrevem dores intensas, infecções, deformidades e sequelas permanentes após procedimentos estéticos realizados na clínica.

Uma das pacientes contou que fez uma harmonização nos glúteos em abril deste ano e assinou um termo de consentimento antes da aplicação. No entanto, segundo ela, o documento não foi assinado por Ana Paula, mas por outra profissional identificada como biomédica.

Paciente relatou desespero

Dias após o procedimento, a mulher começou a apresentar fortes dores, febre, coceira e vermelhidão na região. Ao procurar a clínica, recebeu a informação de que os sintomas eram considerados normais.

“Quando passou na televisão que a clínica tinha sido fechada e que a Polícia Civil tinha estado lá, percebi que tinha caído em um golpe. Ela disse que aplicaria bioestimulador de colágeno e ácido hialurônico, mas eu não sei o que foi injetado. Entrei para me sentir melhor e hoje estou pior do que antes”, relatou.

Acusações contra a esteticista

Exames apontaram a presença de um corpo estranho nos glúteos da paciente. Segundo ela, a cirurgia para retirada do material deverá custar pelo menos R$ 52 mil.

Outro ex-paciente, um homem de 48 anos, afirmou que procurou a clínica em março para realizar uma harmonização facial.

Pouco tempo depois, desenvolveu uma infecção bacteriana grave, ficou internado por 17 dias e chegou a ser levado para a sala vermelha de um hospital.

“Hoje estou afastado do trabalho. Não consigo andar direito e manco porque acredito que alguma estrutura tenha sido atingida. Espero que a Justiça seja feita”, declarou.

Ele aguarda, por meio do Sistema Estadual de Regulação (Sisreg), uma cirurgia para corrigir as sequelas provocadas pelo procedimento.

Uso de ácido nos procedimentos

De acordo com a Polícia Civil, Ana Paula anunciava aplicações de ácido hialurônico para remodelação dos glúteos, mas as investigações indicam que os pacientes recebiam injeções de polimetilmetacrilato (PMMA), substância cujo uso para fins estéticos é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Os investigadores também afirmam que Ana Paula não possuía a especialização necessária para realizar esse tipo de procedimento. Apesar de ter sido alvo de uma operação policial no mês passado, ela continuava divulgando normalmente os serviços da clínica nas redes sociais.

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Publicações nas redes sociais

Em uma das publicações, chegou a afirmar: “Quanto mais falam de mim, mais likes e mais seguidores eu ganho. O Instituto Paula Lima está aberto, funcionando normalmente em Madureira e Vilar dos Teles e, em breve, também na Barra da Tijuca”.

O Disque Denúncia divulgou um cartaz com informações sobre a suspeita e pede a colaboração da população para ajudar a localizar o paradeiro de Ana Paula Lima de Souza Mariano.

A Polícia Civil segue reunindo novos depoimentos e investiga a extensão dos danos causados aos pacientes.

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