A escalada do conflito envolvendo o Irã provocou um congestionamento histórico no Estreito de Ormuz, com ao menos 150 navios petroleiros e gaseiros parados na região. Ataques recentes danificaram embarcações, deixaram mortos e levaram seguradoras marítimas a cancelar coberturas contra riscos de guerra. A paralisação da navegação já impacta o mercado global, elevando os preços do petróleo, do gás natural e os custos de transporte entre o Oriente Médio e a Ásia.

Estreito Ormuz tem engarrafamento com mais de 150 navios petroleiros após ataques ao Irã

A intensificação dos ataques ligados ao conflito com o Irã gerou um verdadeiro engarrafamento marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio global de energia. Pelo local passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, além de grandes volumes de gás natural.

Segundo dados de navegação divulgados no domingo (1º), ao menos 150 embarcações, entre petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, estão ancoradas no estreito e em áreas adjacentes. A navegação entre o Irã e Omã praticamente foi interrompida após uma série de ataques em retaliação a ações dos Estados Unidos e de Israel.

De acordo com informações da plataforma de rastreamento MarineTraffic, os navios estão concentrados principalmente ao largo das costas de grandes produtores do Golfo, como Iraque e Arábia Saudita, além do Catar, um dos maiores exportadores de gás do mundo. O Irã afirmou ter fechado a navegação pela via, o que levou governos e refinarias asiáticas a reavaliarem seus estoques estratégicos de petróleo.

Navio petroleiro atingido

Os incidentes recentes aumentaram ainda mais a tensão na região. O petroleiro de produtos químicos Stena Imperative, de bandeira norte-americana, foi atingido por impactos aéreos enquanto estava atracado no Golfo Pérsico, resultando na morte de um trabalhador de estaleiro. Outro ataque matou um tripulante do navio MKD VYOM, de bandeira das Ilhas Marshall, ao largo da costa de Omã. Pelo menos outros dois petroleiros e um navio-tanque de abastecimento também sofreram danos.

Diante do aumento dos riscos, grandes seguradoras marítimas passaram a cancelar a cobertura contra riscos de guerra para embarcações que operam no Golfo Pérsico e águas próximas ao Irã. Empresas como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club anunciaram que os cancelamentos entram em vigor a partir de 5 de março. Já o grupo japonês MS&AD Insurance informou à Reuters que suspendeu a subscrição de diversas apólices na região.

Alta no preço do petróleo

O impacto já é sentido no mercado global. Os contratos futuros do petróleo Brent subiram mais de 8%, enquanto o gás natural europeu também registrou forte alta. Além disso, os custos de transporte de petróleo do Oriente Médio para a Ásia — que já estavam nos níveis mais elevados dos últimos seis anos — devem subir ainda mais. O índice de frete TD3C, referência para a rota entre o Oriente Médio e a China, quase triplicou desde o início de 2026, com taxas que podem ultrapassar US$ 12 milhões por viagem.

Com o prolongamento das tensões e a incerteza sobre a reabertura total do Estreito de Ormuz, analistas avaliam que o cenário pode continuar pressionando preços de energia, fretes marítimos e cadeias globais de abastecimento nas próximas semanas.

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