Um estudo científico indicou que o transplante de microbiota fecal, procedimento que transfere bactérias intestinais de uma pessoa saudável para outra, pode ajudar a “rejuvenescer” os ovários, aumentar a fertilidade e até atrasar a menopausa. A pesquisa foi conduzida por cientistas da USC Leonard Davis School of Gerontology e publicada na revista científica Nature Ageing.
Um estudo científico indicou que o transplante de microbiota fecal, procedimento que transfere bactérias intestinais de uma pessoa saudável para outra, pode ajudar a “rejuvenescer” os ovários, aumentar a fertilidade e até atrasar a menopausa. A pesquisa foi conduzida por cientistas da USC Leonard Davis School of Gerontology e publicada na revista científica Nature Ageing.
Experimento foi realizado com camundongos
O estudo analisou camundongos fêmeas que tiveram a microbiota intestinal eliminada por antibióticos. Em seguida, os pesquisadores realizaram transplantes fecais para reconstruir o microbioma desses animais.
Os camundongos receberam bactérias intestinais provenientes de animais mais jovens ou mais velhos. O objetivo era observar como a alteração da microbiota influenciaria a função ovariana e a fertilidade.
Os resultados surpreenderam os cientistas. Após receberem o transplante fecal, os animais apresentaram melhora na função dos ovários e aumento da fertilidade. Em alguns casos, os ovários passaram a apresentar características celulares semelhantes às de indivíduos mais jovens.
Relação entre intestino e sistema reprodutivo
De acordo com a pesquisadora Bérénice Benayoun, autora sênior do estudo, os resultados sugerem que existe uma comunicação direta entre o microbioma intestinal e os ovários.
Segundo ela, essa relação pode influenciar o envelhecimento do sistema reprodutivo feminino. Com o passar dos anos, alterações nas bactérias intestinais podem afetar o funcionamento hormonal e a saúde dos ovários.
Um dos elementos analisados pelos cientistas foi o chamado estroboloma, conjunto de microrganismos intestinais responsáveis por participar do metabolismo do estrogênio. Esses microrganismos ajudam a manter o equilíbrio hormonal e podem influenciar diretamente a fertilidade.
Possível impacto na menopausa
Embora os testes tenham sido feitos apenas em animais, os pesquisadores afirmam que manipular o microbioma intestinal pode, no futuro, ajudar a retardar processos associados ao envelhecimento reprodutivo, como a menopausa.
Segundo os cientistas, a menopausa não representa apenas o fim da fertilidade. Ela também está associada ao aumento do risco de doenças como osteoporose, diabetes, problemas cardíacos e demência.
Por isso, estratégias capazes de atrasar esse processo de forma segura poderiam contribuir para melhorar a qualidade de vida e a expectativa de vida das mulheres.
Procedimento já é usado em outras doenças
O transplante de microbiota fecal, conhecido pela sigla FMT, já vem sendo estudado para diferentes condições de saúde, incluindo doenças intestinais, alergias e até problemas neurológicos.
O procedimento também é utilizado em alguns sistemas de saúde para tratar infecções causadas pela bactéria Clostridioides difficile, responsável por provocar diarreia intensa após o uso de antibióticos.
Apesar do potencial terapêutico, especialistas alertam que o transplante fecal deve ser realizado apenas em ambientes clínicos controlados. O método envolve riscos, como a transmissão de patógenos caso os doadores não sejam submetidos a exames rigorosos.
Os pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos em humanos para confirmar se os efeitos observados nos camundongos também podem ocorrer em mulheres.
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