Um estudo liderado pela Universidade Macquarie, na Austrália, aponta que a Terra pode enfrentar um cenário caótico até 2100 se o aquecimento global atingir um aumento de 4ºC e 800 ppm de CO₂. Pesquisadores preveem incêndios recorrentes, extinção de espécies e transformações radicais que exigirão biotecnologia alimentar, como carne de laboratório e leite sintético, para suprir a pecuária tradicional.
Um estudo científico divulgado nesta semana acendeu o sinal de alerta para o futuro do planeta. Segundo pesquisadores da Universidade Macquarie, que fica em Sydney, na Austrália, caso o aquecimento global siga sem freio, a vida na Terra pode se tornar caótica já no século XXII.
O trabalho, feito por mais de 20 cientistas, indica que se as temperaturas subirem 4ºC e o CO₂ atingir 800 ppm até 2100, teremos mudanças radicais no clima e nos ecossistemas, com impacto direto em todo o globo.

(Foto: Reprodução)
Transformações profundas no planeta
O estudo, publicado no Jornal Australiano de Botânica, detalha as possíveis consequências de um cenário extremo. Entre os efeitos previstos estão incêndios florestais recorrentes, deslocamento de populações e perdas em massa de animais e plantas. As condições extremas afetariam regiões de todo o planeta, com muitos ecossistemas se transformando profundamente até o fim do século.
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“Daqui a 70 anos, muitos ecossistemas serão substancialmente diferentes. As mudanças climáticas são um dos fatores, com alterações associadas na incidência de incêndios, temperaturas extremas, secas, enchentes e dióxido de carbono na atmosfera. Mas outros fatores também podem se tornar importantes, como a substituição em larga escala do gado por produtos de cultura celular e tecnologias genéticas para a supressão de determinadas espécies”, destacam os cientistas.
Por isso, soluções artificiais já começam a ganhar espaço no cultivo pecuário e laticínio. Países como Estados Unidos, Singapura e Israel já permitem a fabricação de frango em laboratório, e empresas globais apostam no leite sintético para garantir o abastecimento alimentar diante das mudanças climáticas.
Metas globais e redução de combustíveis fósseis
Outro levantamento, da Climate Analytics, reforça a necessidade de reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis até 2035 para evitar desastres naturais e limitar o aumento da temperatura global a 1,5 ºC, meta definida pelo Acordo de Paris como segura para o funcionamento dos ecossistemas terrestres.
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