A recente notícia de que a ex-deputada Flordelis sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) dentro da prisão nesta sexta-feira (19), trouxe à tona um tema que, apesar de frequente, ainda é pouco compreendido pela população. O episódio mostra de forma contundente que o AVC não escolhe idade, gênero ou condição social e reforça a urgência de se falar sobre um problema que é hoje uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil.
A recente notícia de que a ex-deputada Flordelis sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) dentro da prisão, nesta sexta-feira (19), trouxe à tona um tema que, apesar de frequente, ainda é pouco compreendido pela população.
O episódio mostra de forma contundente que o AVC não escolhe idade, gênero ou condição social e reforça a urgência de se falar sobre um problema que é hoje uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil.

A neurologista Dra. Sheila Cristina Martins, presidente da Rede Brasil AVC, explica que a doença se manifesta de duas formas distintas. O AVC isquêmico é o mais comum, responsável por cerca de 85% dos casos. Ele ocorre quando um vaso sanguíneo que leva oxigênio ao cérebro é obstruído, geralmente por um coágulo.
Já o AVC hemorrágico é menos frequente, mas considerado mais grave, pois resulta da ruptura de um vaso cerebral e consequente extravasamento de sangue, que provoca pressão e danos nos tecidos.
“É fundamental compreender que os dois tipos de AVC exigem atendimento imediato, mas as abordagens são diferentes. Enquanto no AVC isquêmico utilizamos tratamentos para desobstruir o vaso, como a trombólise ou a trombectomia mecânica, no hemorrágico é preciso controlar o sangramento e reduzir a pressão intracraniana”, detalha a especialista.
Sinais que não podem ser ignorados
Os sintomas costumam surgir de forma súbita e devem acender um alerta: perda de força ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, alterações na visão, desequilíbrio, tontura ou uma dor de cabeça intensa e inesperada.
Reconhecer esses sinais pode salvar vidas. “Cada minuto conta. Quanto mais rápido for o atendimento, maiores as chances de recuperação sem sequelas graves”, reforça a Dra. Sheila.
O peso da prevenção
Além da urgência no diagnóstico, o grande desafio é a prevenção. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade e sedentarismo estão entre os principais fatores de risco — e todos podem ser controlados com mudanças de hábitos e acompanhamento médico.
A especialista destaca que mais de 90% dos casos de AVC poderiam ser evitados se a população tivesse maior atenção à saúde cardiovascular e circulatória.
Lições do caso Flordelis
A situação envolvendo Flordelis, ainda em acompanhamento médico, escancara um ponto crucial: o AVC pode ocorrer em qualquer contexto, inclusive em locais onde o acesso ao atendimento especializado é limitado, como no sistema prisional. Isso levanta debates sobre a necessidade de ampliar o treinamento de equipes médicas e garantir hospitais preparados para lidar com esse tipo de emergência em todo o país.
Mais do que um episódio isolado, o caso reacende a importância de se falar abertamente sobre o AVC, investir em campanhas de conscientização e assegurar que a população saiba reconhecer os sinais e tenha acesso imediato ao tratamento adequado. Afinal, quando se trata de acidente vascular cerebral, o tempo é o cérebro.
