O ex-ditador da Síria, Bashar al-Assad, foi descrito por fontes ouvidas pela revista The Atlantic como alguém obcecado por sexo e videogame. O perfil foi traçado a partir de relatos de pessoas que conviveram com o regime, marcado por acusações de tortura e mortes durante a guerra civil no país. Para entender esse tipo de comportamento, o BacciNotícias conversou com o psiquiatra dr. Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Universidade Federal de São Paulo.
O ex-ditador da Síria, Bashar al-Assad, foi descrito por fontes ouvidas pela revista The Atlantic como alguém obcecado por sexo e videogame. O perfil foi traçado a partir de relatos de pessoas que conviveram com o regime, marcado por acusações de tortura e mortes durante a guerra civil no país. Para entender esse tipo de comportamento, o BacciNotícias conversou com o psiquiatra dr. Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Universidade Federal de São Paulo.
Suposto caso com jornalista
Segundo os entrevistados, Assad recebia mulheres com frequência, incluindo esposas de oficiais sírios, que teriam sido intermediadas por sua assessora de imprensa e amante, Luna al-Shibl. O ex-ditador é casado com Asma al-Assad.
Luna, ex-jornalista da Al Jazeera, foi encontrada morta dentro de seu carro em uma rodovia nos arredores de Damasco, em julho de 2024. Embora a mídia estatal tenha afirmado que se tratava de um acidente de trânsito, surgiram rumores de que o próprio Assad poderia ter ordenado o assassinato.
Atualmente, Assad e a família vivem em Moscou, em imóveis de alto padrão adquiridos antes da queda do regime. Segundo relatos obtidos pela revista, ele passa grande parte do tempo jogando, especialmente o aplicativo Candy Crush.
Especialista explica por que o termo está incorreto
Segundo dr. Eduardo Perin, o uso da palavra obsessão para descrever o comportamento pode não ser o mais adequado do ponto de vista clínico, mas que o mais adequado seria “dependência de sexo”.
“Na verdade, o termo obsessão é incorreto. Obsessão é um pensamento ou imagem que invade a mente e causa repulsa, culpa ou medo. Diferentemente do caso citado, estamos falando de um transtorno do impulso, ligado à dependência”, explica o especialista. “Quando isso começa a tomar muito tempo e ter repercussões na vida do indivíduo, isso se trata de um transtorno psiquiátrico”, pontua.
De acordo com ele, quando atividades como sexo ou jogos passam a ocupar grande parte do tempo do indivíduo e começam a gerar impactos na vida social, familiar e profissional, o comportamento pode ser caracterizado como um transtorno psiquiátrico.

Reprodução / Freepik
Quando o comportamento sexual passa a se tornar um problema
O especialista afirma que o sexo passa a ser considerado um problema quando começa a dominar a rotina da pessoa e deixa de ser uma escolha consciente.
“Quando o indivíduo gasta muito tempo mandando mensagens, vendo pornografia ou se masturbando, e não consegue parar mesmo tentando, isso pode indicar dependência”, afirma.
Perin acrescenta que alguns sinais também incluem sintomas semelhantes aos da abstinência.
“Quando tenta parar, a pessoa pode apresentar irritabilidade, insônia ou ansiedade. Em muitos casos, o comportamento também passa a ser usado para regular emoções, como tédio, raiva ou momentos difíceis”, diz.
Outro indício citado é o gasto excessivo de dinheiro com pornografia, serviços sexuais ou conteúdos relacionados.
Tratamento envolve acompanhamento psicológico e psiquiátrico
De acordo com o psiquiatra, quando a pessoa percebe que o comportamento sexual está fora de controle, o ideal é buscar ajuda especializada.
“Quando o indivíduo percebe que está em um quadro de dependência ou compulsão sexual, o ideal é procurar psicoterapia, de preferência com um terapeuta especialista em sexualidade, além de acompanhamento psiquiátrico”, orienta.
Segundo ele, em alguns casos pode ser necessário o uso de medicação e o tratamento de outras condições associadas.
“Também é importante identificar comorbidades que podem aparecer junto com o problema, o que exige avaliação de um profissional habilitado”, acrescenta dr. Eduardo Perin.
Dependência pode afetar diversas áreas da vida
O especialista explica ainda que comportamentos compulsivos podem gerar impactos significativos no cotidiano.
“A pessoa pode gastar muito tempo com pornografia, masturbação ou mensagens, e isso acaba gerando prejuízos no trabalho, no casamento e na vida social”, afirma.
Apesar disso, o psiquiatra ressalta que o quadro pode melhorar com tratamento.
“Com acompanhamento adequado, o comportamento pode melhorar. Porém, pessoas com propensão a dependência sexual muitas vezes também têm tendência a outros tipos de dependência, incluindo substâncias”, conclui.
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