A defesa da família Buscariollo, suspeita pelo desaparecimento e morte de quatro amigos em Icaraíma, noroeste do Paraná, nega qualquer envolvimento no crime e afirma não ter acesso a depoimentos e informações básicas do processo. Segundo o advogado Renan Farrah, apesar de já ter obtido autorização do STF para consultar alguns documentos, a situação tem dificultado o acompanhamento da defesa de seus clientes.
A defesa da família Buscariollo, suspeita pelo desaparecimento e morte de quatro amigos em Icaraíma, noroeste do Paraná, nega qualquer envolvimento no crime e afirma não ter acesso a depoimentos e informações básicas do processo. O advogado Renan Farrah afirmou ao portal BacciNotícias que, apesar de já ter obtido autorização para consultar alguns documentos, a situação tem dificultado o acompanhamento da defesa de seus clientes.
“A gente lamenta muito que o desfecho tenha sido esse. Mas negamos a autoria. Não tem qualquer relação com o desaparecimento e com as mortes”, disse o criminalista.
O advogado, que representa Antônio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo Buscariollo, revelou ter sido vítima de ameaças de morte para abandonar a defesa dos clientes. Segundo ele, os próprios suspeitos também teriam sido alvo de intimidações.
“Eles fugiram por amor a própria vida, comprovamos a ameaça de morte. Deixaram comida no prato, roupa no varal. Foi uma corrida contra o tempo para tentar permanecer vivo. Todo mundo desapareceu, a família toda”, afirmou.
Farrah detalhou que, quando os suspeitos foram à delegacia, não estavam acompanhados de defesa. “Fui contratado após o dia 12, eles foram sem advogados. Não tenho acesso aos depoimentos, nem a coisas básicas do processo. Consegui autorização, por meio do STF, para ver alguns documentos, mas ainda segue muito restrito.”
O advogado afirmou ter conversado com seus clientes e destacou que outras pessoas tinham interesse na morte dos quatro homens. “Conversamos por vídeo, eles estão vivos. Mas é importante destacar: existem outras pessoas que estavam interessadas na morte deles.”
Ele explicou ainda o contexto da cobrança da dívida que levou ao desaparecimento do grupo. Segundo Farrah, a visita dos quatro homens à propriedade tinha como objetivo receber um pagamento referente ao pesqueiro que os Buscariollo compraram e revenderam para Alencar Gonçalves de Souza.
“Ele [Alencar] tentou um financiamento, mas não conseguiu, teve que devolver [o imóvel]. O Alencar acreditava ser o dono pelas benfeitorias que fez no local. A família prometeu pagar pelas reformas, mas quando vender. No entanto, ele foi com essas notas para os cobradores, notas promissórias, e eles vieram”, detalhou o criminalista.
O caso
Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, desaparecidos desde 5 de agosto, foram encontrados na madrugada desta sexta-feira (19) enterrados em uma cova rasa em Icaraíma. Segundo o delegado Thiago Andrade Inácio, a cova tinha cerca de 60 centímetros de profundidade, e o trabalho de escavação levou várias horas até a remoção dos corpos, quando a perícia foi acionada.
A investigação segue sob sigilo judicial, considerado “fundamental para o andamento do caso”, informou a polícia. Antes da descoberta, um Fiat Toro do grupo foi localizado, e um Fiat Strada com placas adulteradas também foi apreendido na região.
Suspeitos foragidos

Antônio e Paulo Buscariollo, principais suspeitos no desaparecimento e morte de quatro amigos em Icaraíma
A Polícia Civil do Paraná aponta Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, como principais suspeitos pelo homicídio. As vítimas haviam sido contratadas para cobrar uma dívida de R$ 255 mil referente a uma propriedade rural adquirida pelos suspeitos, que não pagaram as parcelas combinadas.
De acordo com a investigação, o grupo desapareceu após ir até a propriedade para receber o pagamento. Mandados de prisão foram expedidos contra os Buscariollo, que seguem foragidos.
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