O motorista Isaías Horahel foi absolvido pelo Tribunal do Júri no último dia 26, no caso em que era acusado de atropelar e matar o policial militar Thiago após uma briga de trânsito em São Paulo. A decisão encerra um processo que se arrastava há mais de três anos.

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O motorista Isaias dos Santos foi absolvido pelo Tribunal do Júri no último dia 26, no caso em que era acusado de atropelar e matar o policial militar Thiago após uma briga de trânsito em São Paulo. A decisão encerra um processo que se arrastava há mais de três anos.

Em conversa exclusiva com o BacciNotícias, o advogado de defesa, Higor Oliveira, afirmou que a acusação inicial do Ministério Público apontava homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima. Ainda na primeira fase do processo, o próprio Ministério Público se manifestou pela impronúncia do réu ao reconhecer a possibilidade de legítima defesa. No entanto, assistentes de acusação contratados pela família recorreram, e o caso acabou sendo levado a júri popular.

Segundo o defensor, mais de cinco assistentes de acusação pediram a condenação de Isaías por homicídio qualificado — crime cuja pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão. A defesa, porém, sustentou que o motorista agiu para proteger a própria vida.

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Dr Higor Oliveira e Isaias dos Santos – Foto: Reprodução

“Na data de ontem conseguimos colocar fim a um sofrimento que já se esticava por mais de três anos”, disse o advogado ao BacciNotícias. “Isaías havia sido denunciado por homicídio qualificado, mas conseguimos demonstrar de forma técnica e combativa que a legítima defesa estava cristalina.”

O advogado afirmou ainda que a defesa apresentou elementos de que o policial estaria embriagado, sob efeito de antidepressivos e realizando abordagem sem autorização funcional. “Aquele policial estava sendo investigado desde 2020 e só poderia exercer funções burocráticas, mas mesmo assim descumpriu a ordem da corporação e saiu para a rua”, declarou.

De acordo com a versão apresentada pela defesa, o agente teria perseguido Isaías por mais de cinco minutos antes da abordagem. “Tudo isso está devidamente nos autos. Quando o farol fechou, o Isaías não conseguiu mais fugir. Nesse momento, a vítima desceu do carro e partiu para cima dele”, afirmou o defensor.

O advogado acrescentou que o policial ainda teria efetuado um disparo contra o motorista. “Thiago conseguiu dar um tiro na cabeça do Isaías, que por sorte passou de raspão. Diante daquele ímpeto de proteger a própria vida, ele acabou atropelando a vítima”, disse.

O júri popular foi composto por sete jurados. Segundo Higor Oliveira, a votação foi encerrada assim que se atingiu a maioria necessária. “Foram abertas as quatro primeiras cédulas e já estava 4 a 0 pela absolvição. Isso confirmou o reconhecimento da legítima defesa”, explicou.

“Graças a Deus conseguimos a absolvição e colocamos fim a esse sofrimento”, concluiu o advogado.

Relembre o caso

O policial civil Thiago Osvaldo morreu após ser arrastado por cerca de dez metros por um BMW na madrugada de 2 de abril do ano passado, depois de uma briga de trânsito em Santo André, no ABC Paulista.

Durante a ação, o agente ficou com o braço preso à janela do motorista do veículo de luxo. Nesse momento, ele efetuou um disparo que atingiu a cabeça do empresário Isaias dos Santos, que conduzia o carro.

O automóvel, no entanto, não pertencia ao motorista. O BMW é de um amigo dele, o autônomo Lucas Rocha de Brito, de 26 anos, que estava no banco do passageiro no momento do ocorrido.

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