Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, a mãe de Yago Ravel Rodrigues Rosário contestou o laudo divulgado pela imprensa sobre a morte do jovem, encontrado decapitado após a megaoperação no Complexo da Penha. Ela afirma que ainda não recebeu nenhum documento oficial e se revoltou ao ver o laudo divulgado antes da própria família. Segundo ela, o corpo do filho não tinha marcas de tiros, ao contrário do que aponta a necropsia, e Ravel teria sido “espancado, esfaqueado e decapitado”. A mãe também diz que o jovem havia se entregado, negou envolvimento direto dele com o tráfico e afirmou que o filho, de 19 anos, “não era alvo de operação e não tinha antecedentes”.

Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

A mãe de Yago Ravel Rodrigues Rosário, de 19 anos, contestou o laudo divulgado pela imprensa sobre a morte do jovem, encontrado decapitado após a megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

Em entrevista exclusiva ao Bacci Notícias, ela afirmou estar revoltada com o fato de o documento ter sido divulgado por veículos como a Folha de S.Paulo antes mesmo que a família tivesse acesso às informações oficiais.

A imprensa diz o que quer. O laudo foi divulgado antes de chegar nos responsáveis. Até agora eu não recebi nada”, desabafou. Segundo ela, o único laudo que deveria sair neste momento ainda está em fase de conclusão. “Até onde eu sei, o outro laudo só sai em 30 dias. Meu filho tem 18 dias de falecido”, disse.

“O que mostraram não era dele”, diz mãe

A mãe de Ravel afirma ter feito o reconhecimento do corpo e contesta uma das principais informações reveladas pelo laudo apresentado pela imprensa, que aponta uma lesão perfurocontusa compatível com tiro.

Eu olhei o corpo do meu filho. Meu filho não tinha marcas de tiro”, afirma. Em seguida, reforça: “Ele foi espancado e esfaqueado. E decapitado. Não sei se esse laudo é verídico, já passaram diversas informações erradas sobre a morte do meu filho”.

Ela também disse acreditar que Ravel tenha se rendido antes de ser morto. “Meu filho não era inocente, como eu já tinha dito, mas se entregou e tinha direito a uma segunda chance. Ou que matassem, mas não da forma que fizeram. Deve ter pedido por favor. Eles não têm piedade. Não houve troca pra ter sido da forma que foi”, afirmou, emocionada.

Mãe diz que Ravel não tinha passagens

O governo do Rio disse ao STF que uma foto de Ravel em rede social indicaria suposta ligação dele com o tráfico. A mãe relata que só teve suspeitas de envolvimento poucos dias antes da morte.

Três meses atrás ele trabalhava como entregador de pizza. Descobri envolvimento cinco dias antes da morte dele. Mesmo assim, não tinha 100% de certeza”, afirma.

Ela admite que o jovem circulava com más influências, mas diz desconhecer qualquer participação direta.

Ele andava no meio, infelizmente tem coisas que não têm como evitar. Mas ligação com o CV, eu não sabia. Ele não era alvo de operação. Não tinha antecedentes nem passagem”, completou. No relato, a mãe também reforça que o filho nunca praticou crimes. “Nunca roubou, nem matou ninguém. Ele era só um menino. Acho que nem tinha noção das consequências”.

Caso segue cercado de contradições

Enquanto familiares acusam agentes de segurança pela decapitação, a Polícia Civil afirma acreditar que o ato foi cometido por criminosos para incriminar os policiais. O laudo preliminar divulgado aponta diversas lesões internas e externas, entre elas fratura na coluna, ferimentos em órgãos vitais e a divisão cervical.

A megaoperação que terminou com a morte de Ravel é considerada a mais letal da história do Rio, com 117 mortos, a maioria apontada pelo governo como ligada ao Comando Vermelho.

A mãe segue aguardando acesso aos documentos oficiais e diz que continuará buscando esclarecimentos. “Quero a verdade sobre o que fizeram com meu filho”, concluiu.

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