Beatriz Nolasco deu entrevista exclusiva ao portal BacciNotícias nesta quinta-feira (30) e comentou sobre a morte do sobrinho Yago Ravel Rodrigues, de 19 anos, suposto integrante da facção Comando Vermelho (CV). Jovem morreu durante a megaoperação que aconteceu na terça-feira (28), e vitimou 121 pessoas.

Beatriz Nolasco, tia de Yago Ravel, morto e  decapitado pela polícia, comenta assassinato do jovem (Foto: Reprodução)
Beatriz Nolasco, tia de Yago Ravel, morto e decapitado pela polícia, comenta assassinato do jovem (Foto: Reprodução)

Moradora do Complexo do Alemão, Beatriz Nolasco deu entrevista exclusiva ao portal BacciNotícias nesta quinta-feira (30). Ela descreveu com detalhes como a família do sobrinho Yago Ravel Rodrigues, de 19 anos, encontrou o corpo do jovem, morto e decapitado, na megaoperação que aconteceu na terça-feira (28).

Yago foi um dos 121 mortos, segundo números governo do Rio de Janeiro, durante a Operação Contenção. A ação envolveu cerca de 2,5 mil policiais civis e militares na tentativa de conter a facção Comando Vermelho (CV), nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital.

As autoridades contaram duas mortes de policiais civis e outras duas de oficiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Entre as outras 117 vítimas do episódio mais letal da história do Rio de Janeiro, estima-se que sejam todas de faccionados do CV, embora não haja confirmação oficial.

Jovem decapitado

A grande frustração da família, relata Beatriz, foi de que o jovem não foi assassinado à tiros, como a maioria das vítimas da ação. Ele teve a cabeça arrancada e amarrada em uma árvore, com o corpo ao lado, como uma forma de exibir o cadáver para os moradores.

As imagens rapidamente circularam na internet, e o tópico levantou questões sobre as medidas utilizadas pelos agentes de polícia na abordagem da operação. A tia afirmou que Ravel não foi o único encontrado desta forma, enquanto, segundo o laudo médico do Instituto Médico Legal (IML), ele ainda teria passado por um episódio de tortura antes de ser morto.

“Da forma que foi, acho que foi desumano. Ele não tinha tiro pelo corpo, o laudo médico diz que ele foi torturado e depois decapitado”, conta Beatriz.

Reação da mãe

A mulher conta que a própria irmã, e mãe do jovem, foi quem encontrou o corpo em um local conhecido como “mata”, onde os policiais tentaram encurralar os integrantes do Comando Vermelho durante a troca de tiros.

“Uma mãe vê a cabeça do filho pendurada numa árvore como se fosse um troféu, e o corpo longe da cabeça. A sorte foi que não deixaram ela pegar a cabeça dele, porque ela ia descer com a cabeça dele no colo, e mostrar pra todo o Brasil o que o Estado fez com o filho dela”, relatou a tia de Ravel.

Envolvimento com o crime

Beatriz ainda afirmou que não sabia se o sobrinho era envolvido com o crime organizado. Segundo ela, o jovem tinha histórico como mototaxista, mas não trabalhava mais na profissão. Com apego, ela descreveu Yago.

“Ele nunca comentou pra gente da família que estava envolvido [com o crime]. Apareceram várias fotos na rede social, dele armado, e a gente nunca tinha visto, ele bloqueava a família. Pra gente, ele sempre foi um garoto muito bom, muito educado, amoroso, carinhoso, família”, disse.

Beatriz contou que Ravel não estava desempregado, e vivia “um mundo louco”. “Ele estava vivendo um mundo louco, né. Você sabe que um menino de 19 anos não quer ter responsabilidade, quer viver a vida livre, sem saber as consequências. No momento da ação, realmente, ele estava no lugar errado, na hora errada. Fazendo o que lá? Também não sei”, completou.

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