Nesta mesma semana em que a Polícia Judiciária prendeu e também já soltou o português João Paulo Silva Oliveira, que ofereceu 500 euros por cabeça de brasileiro decapitada, a moradora de Portugal, jornalista do Ópera Mundi, Stefani Costa, foi ameaçada de morte por outro extremista de direita, Bruno Silva.
Bruno teria oferecido um de seus apartamentos no centro de Lisboa, avaliado em cerca de 300 mil euros, como recompensa para o “extermínio de brasileiros em Portugal”. Além disso, ele teria prometido um bônus de 100 mil euros para quem lhe trouxesse a cabeça de Stefani Costa.
Em declaração ao Bacci Notícias à repórter Valéria Hein, Stefani revelou que esta não foi a primeira vez que o agressor a intimidou. Ela conta que em junho do ano passado, Silva lhe enviou uma fotografia exibindo armas, alegando que seriam destinadas à sua execução. “Esse fato gerou a abertura de um inquérito no MP no ano passado, que corre em segredo de Justiça, mas o caso está andando bem devagar”. Ela também buscou apoio junto ao consulado e à embaixada do Brasil em Portugal.
Investigações
Fontes do Ministério Público indicaram que as investigações, com o apoio da Polícia Judiciária e do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, estão em curso. No entanto, há um desafio significativo na identificação dos responsáveis por estes perfis de ódio nas redes sociais. “Ainda não sabemos quem é Bruno Silva, mas espero que a justiça consiga localizá-lo o mais rápido possível para que isso não se repita comigo e com nenhum outro colega de profissão”, afirma Stefani.
Perseguição a Brasileiros
Residente em Portugal há oito anos, Stefani Costa afirmou que não se deixará intimidar . Ela lamenta que as agressões contra brasileiros ocorram com certa frequência em Portugal e explica que, no caso dela, a situação se agrava por ela ser uma jornalista que escreve sobre temas sensíveis e de direitos humanos. “Isso incomoda muita gente, especialmente políticos e líderes de movimentos que desrespeitam a dignidade humana”, completa.
Ela cita também o ataque à liberdade de imprensa. “Já fui agredida fisicamente por um eleitor do Chega (partido político português de ideologia populista, de direita radical) apenas por ser brasileira e sou alvo de ameaças de grupos neonazistas que eu também denuncio”, conta Stefani.
