A ministra Gleisi Hoffmann defendeu que Fernando Haddad seja candidato por São Paulo nas eleições deste ano, afirmando que a esquerda precisa lançar seus principais quadros para enfrentar a extrema direita. Segundo ela, o momento é decisivo para a democracia. Embora Haddad sinalize o desejo de se afastar da vida pública, ele é a principal aposta do PT no estado e sofre pressão do partido e do presidente Lula para disputar o governo paulista ou o Senado.

Gleisi defende candidatura de Haddad em São Paulo - Foto: Gil Ferreira/SRI
Gleisi defende candidatura de Haddad em São Paulo - Foto: Gil Ferreira/SRI

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu nesta quarta-feira (28) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja candidato por São Paulo nas eleições deste ano. Segundo Gleisi, o cenário político exige mobilização total do campo progressista para enfrentar a extrema direita nos estados e preservar o projeto democrático liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante um café com jornalistas em Brasília, a ministra afirmou que o momento é de “enfrentamento grande” e que não há espaço para hesitação. De acordo com ela, a disputa eleitoral envolve mais do que cargos, mas a defesa de um projeto de país. “Está em risco a nossa democracia. Todos têm de entrar em campo, vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa eleitoral”, declarou.

Na avaliação de Gleisi, o PT e os partidos aliados precisam lançar mão de seus principais nomes para evitar o retorno da extrema direita ao poder. “Precisamos escalar os nossos melhores quadros”, reforçou, ao ser questionada diretamente sobre o papel de Haddad nas eleições deste ano.

A ministra, no entanto, evitou cravar qual cargo o titular da Fazenda deveria disputar. Questionada se prefere Haddad candidato ao governo paulista ou ao Senado, Gleisi afirmou que essa definição cabe ao próprio ministro e ao presidente Lula. Ainda assim, reconheceu que o nome de Haddad é central nas articulações do partido em São Paulo.

Haddad de saída do governo
Fernando Haddad deve deixar o comando do Ministério da Fazenda a partir do fim de fevereiro, após retornar de uma viagem oficial à Índia, prevista entre os dias 19 e 21, ao lado do presidente Lula e de outros ministros. A saída faz parte do calendário eleitoral, já que ministros precisam se desincompatibilizar para disputar cargos em outubro.

Nos bastidores, Haddad tem afirmado a interlocutores que cogita se afastar da vida pública, dedicar mais tempo à leitura, à atividade acadêmica e à docência, além de colaborar nos bastidores da campanha de Lula à reeleição. Na semana passada, porém, o ministro admitiu que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre seu futuro político.

Apesar das resistências pessoais, Haddad é visto internamente como a principal aposta do PT para São Paulo, seja para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes, seja para uma vaga no Senado. O principal entrave, segundo aliados, é justamente a relutância do ex-prefeito em voltar a concorrer a cargos eletivos após derrotas anteriores no estado.

Ainda assim, as pressões do partido e do próprio presidente da República podem pesar na decisão final. Haddad tem relatado que Lula vem insistindo para que ele entre na disputa, avaliando que sua candidatura teria peso político e eleitoral significativo em um dos maiores colégios eleitorais do país.

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