Médicos no Brasil têm seus dados usados em golpes de falsificação de atestados e receitas vendidos em grupos no Telegram. O pediatra João Batista, 72, já foi vítima duas vezes do esquema. Até julho de 2025, esses conteúdos somaram quase 500 mil visualizações, com mais de 27 mil pessoas envolvidas. O crime é estruturado com bots, perfis falsos e marketplaces, facilitando pagamentos e dificultando rastreamento.
O pediatra João Batista, 72, recebeu uma carta do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP) questionando a emissão de diversos atestados médicos em seu nome. Surpreso, afirmou nunca ter atendido as pessoas que constavam nos documentos. Não era a primeira vez: há seis anos, ele já havia sido vítima do mesmo golpe.
Casos como o dele se multiplicam pelo Brasil. Médicos têm seus dados utilizados ilegalmente em esquemas de falsificação de receitas, laudos, atestados e até requisições de exames. O comércio clandestino ocorre principalmente em grupos do Telegram, onde os criminosos usam nomes reais de profissionais sem que eles saibam.
Segundo dados da própria plataforma, até julho de 2025, os conteúdos relacionados ao golpe já foram visualizados quase meio milhão de vezes. Hoje, mais de 27 mil pessoas participam ativamente de comunidades dedicadas à venda desses documentos falsos.
A estrutura do esquema impressiona: bots automatizados, perfis falsos e marketplaces digitais agilizam o processo, garantindo pagamentos rápidos e acesso imediato ao material. A profissionalização reduz o risco de rastreamento e expõe médicos e pacientes a graves riscos legais e de saúde.