O governo brasileiro planeja debater medidas de reciprocidade contra os EUA após o tarifaço de Trump. O tema, considerado polêmico, gera preocupação entre empresários. A Lei de Reciprocidade foi regulamentada após o anúncio das tarifas. Lula pediu a análise de medidas pontuais, como a suspensão de patentes de medicamentos e defensivos agrícolas. No entanto, o ministro da Saúde negou haver qualquer ordem para avaliar a quebra de patentes.
O governo brasileiro planeja iniciar o debate sobre a adoção de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros. O tema só deve ser discutido após o lançamento do plano de ajuda econômica aos setores afetados.
A Lei de Reciprocidade, que serve de base para a discussão, foi aprovada pelo Congresso neste ano e regulamentada pelo governo poucos dias após o anúncio das novas tarifas americanas, em julho.
Apesar de a lei já estar em vigor, o tema é considerado polêmico e gera preocupação entre empresários brasileiros. Setores econômicos temem que a aplicação da lei possa encarecer produtos importados dos EUA e gerar outros impactos negativos na economia, além de ser vista como um sinal de saída da mesa de negociação com os americanos.
Segundo fontes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade, e não ações amplas.
Desde julho, Lula já havia solicitado avaliações sobre possíveis medidas nos setores de óleo e gás, farmacêutico e agrícola. Entre as alternativas discutidas por especialistas está a suspensão de direitos de propriedade intelectual, o que poderia incluir a quebra de patentes de medicamentos e defensivos agrícolas. No entanto, o ministro da Saúde negou, na semana passada, que o presidente tenha dado qualquer ordem para avaliar a quebra de patentes de medicamentos.