A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, abriu uma nova frente de discussão envolvendo a responsabilidade sobre a Ponte do Esqueleto, local onde ocorreu a tragédia.

Maria Eduarda (Foto: reprodução)
Neste domingo (15), o Governo Federal se manifestou oficialmente sobre o caso e afirmou que jamais autorizou a realização de atividades esportivas na estrutura. Além disso, revelou que vinha defendendo medidas para restringir o acesso ao local antes mesmo do acidente. A manifestação ocorreu após a Justiça converter em preventiva a prisão dos três homens apontados pela Polícia Civil como responsáveis pela operação do salto no momento da morte da jovem.
Governo diz que nunca autorizou atividade no local
Em nota, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), informou que a Ponte do Esqueleto faz parte de um trecho ferroviário que nunca chegou a ser implantado pela antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA).
Segundo o órgão, a área está localizada dentro de propriedades particulares e não possui autorização federal para sediar atividades esportivas ou eventos semelhantes. O Governo também afirmou que a incorporação da estrutura ao patrimônio da União só ocorreu oficialmente neste ano. Mesmo assim, sustenta que já solicitava apoio das administrações municipais para impedir o acesso de visitantes desde 2024. De acordo com a SPU, houve tentativas de restringir a circulação de pessoas no local, mas a reabertura da área acabou sendo discutida na Câmara Municipal de Limeira e defendida por empresários da região.
“Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à Ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da ponte de forma conjunta”, afirmou o órgão.
Prefeitura anuncia ação contra a União
Poucas horas antes da manifestação do Governo Federal, a Prefeitura de Limeira informou que pretende ingressar com uma ação judicial contra a União por suposta omissão. Segundo a administração municipal, o local pertence ao Governo Federal, que seria responsável pela manutenção, fiscalização e controle de acesso à estrutura. A Prefeitura afirma que vinha cobrando providências desde o início de 2025 e que diversos ofícios teriam sido encaminhados aos órgãos competentes alertando sobre os riscos existentes na área. Em nota, o prefeito Murilo Félix declarou que a falta de medidas concretas contribuiu para que a tragédia acontecesse.
“Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias”, afirmou.
O chefe do Executivo municipal também disse que a cidade prestará apoio às investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Tragédia chocou o país
Maria Eduarda morreu na manhã de sábado (14) durante uma atividade de rope jump realizada na Ponte do Esqueleto. Segundo a investigação, a jovem participava da modalidade conhecida como “aviãozinho”, quando o praticante é sustentado horizontalmente antes de ser lançado. No entanto, a corda de segurança não estava conectada ao equipamento utilizado pela vítima. Ela caiu de uma altura aproximada de 40 metros e morreu ainda no local. Vídeos gravados por testemunhas registraram o momento do acidente. Nas imagens, pessoas que acompanhavam a atividade percebem a ausência da corda e começam a gritar desesperadamente segundos antes da queda.
Três homens seguem presos
As investigações apontam que os responsáveis pela operação deixaram de realizar a checagem final do sistema de segurança. Por causa disso, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42, tiveram as prisões convertidas em preventivas. Durante depoimento, os três afirmaram não conseguir explicar como a falha ocorreu e alegaram ter sofrido um “apagão” no momento dos procedimentos.
A delegada Andréa Dantas Levy, responsável pelo caso, contestou a versão apresentada. “A corda é grossa. Eram duas cordas que deveriam ter sido colocadas, e não foi colocada nenhuma. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes”, declarou. Os investigados responderão, inicialmente, por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado.
Última publicação chamou atenção
Horas antes do acidente, Maria Eduarda compartilhou imagens da preparação para o salto nas redes sociais. Em uma das publicações, feita pouco antes da atividade, a jovem apareceu em clima de descontração ao comentar a própria decisão de participar da experiência. “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”, escreveu. Pouco tempo depois, a tragédia aconteceria diante de dezenas de testemunhas.
