O governo Lula empenhou R$ 520 milhões em propaganda institucional no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro do valor destinado por Jair Bolsonaro no mesmo período do último ano eleitoral. As campanhas incluem ações sobre programas do governo, o fim da escala 6×1 e o Desenrola Brasil. Os gastos são alvo de questionamentos na Justiça e no TSE.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou os gastos com propaganda institucional no primeiro semestre de 2026 e destinou mais que o dobro do valor empenhado pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período do último ano eleitoral.

Lula afirmou que concluiu tratamento preventivo contra câncer de pele e está recuperado. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
De janeiro a junho deste ano, o governo federal empenhou R$ 520 milhões para ações de comunicação institucional, verba utilizada principalmente pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) para campanhas publicitárias. No primeiro semestre de 2022, último ano da gestão Bolsonaro, o montante empenhado foi de R$ 213,5 milhões, já com os valores corrigidos pela inflação.
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Gastos aumentam antes do período de restrições eleitorais
A maior concentração dos investimentos ocorre no primeiro semestre porque a legislação eleitoral proíbe, a partir do chamado período de defeso, a veiculação de publicidade institucional, com exceção de campanhas consideradas de grave e urgente necessidade pública pela Justiça Eleitoral.
Neste ano, o período de restrições começa em 4 de julho. Até essa data, os governos podem realizar campanhas, desde que respeitem os limites estabelecidos pela legislação, calculados com base na média de gastos dos anos anteriores.
Além das campanhas publicitárias, o governo federal também empenhou aproximadamente R$ 7,6 milhões para pesquisas de opinião.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social afirmou que todas as despesas seguem os limites previstos em lei e que comparações entre diferentes anos devem considerar as particularidades de cada período.
Campanhas consumiram centenas de milhões
A campanha mais cara do governo até agora tem custo estimado em R$ 150 milhões e utiliza o slogan “Conectando entregas e futuro”, voltada para divulgar ações e programas da gestão federal.
Outro investimento de destaque foi a campanha sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que recebeu cerca de R$ 80 milhões. Com o mote “Tempo com a família”, a publicidade foi lançada em maio para divulgar a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda depende de análise do Senado.
Já a nova edição do programa Desenrola Brasil recebeu aproximadamente R$ 45 milhões em ações publicitárias destinadas à renegociação de dívidas.
Internet ganha mais espaço
Durante o atual mandato, o governo ampliou significativamente os investimentos em publicidade digital. A participação da internet no orçamento de campanhas passou de cerca de 20% para mais de 30%.
Pela primeira vez, os recursos destinados a plataformas como Google e Meta — empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp — superaram os valores investidos em anúncios nas emissoras SBT e Band.
A Secom também passou a contratar influenciadores digitais para divulgar programas do governo e firmou contratos com três agências de publicidade para administrar uma conta de R$ 100 milhões voltada à produção de vídeos, podcasts e outros conteúdos institucionais.
Valores são questionados na Justiça
Os gastos do governo Lula já motivam disputas judiciais. Na semana passada, o Partido Liberal (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão das campanhas publicitárias do governo, sob a alegação de que o Executivo teria ultrapassado o limite permitido para despesas com publicidade antes das eleições.
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Além disso, a Justiça Federal do Distrito Federal determinou, em decisão recente, a suspensão dos anúncios relacionados à campanha sobre o fim da escala 6×1 nas redes sociais. A Secom informou que apresentará esclarecimentos técnicos e jurídicos no processo.
Governo Bolsonaro também foi alvo de questionamentos
A publicidade institucional também gerou controvérsias durante a gestão de Jair Bolsonaro. Em 2022, o governo destinou pelo menos R$ 20 milhões para campanhas relacionadas ao bicentenário da Independência, ação que posteriormente contribuiu para uma das condenações que tornaram o ex-presidente inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou irregularidades em campanhas de grande porte realizadas naquele ano, incluindo ações classificadas como “prestação de contas e balanço” e outra estratégia permanente de divulgação do governo, conhecida como “always on”, que somavam mais de R$ 220 milhões.
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