O governo federal planeja acionar, a partir de 2027, os gatilhos do arcabouço fiscal para conter o rombo de R$ 61,7 bilhões em 2025. As regras devem limitar o crescimento de gastos com pessoal, restringir concursos e impedir novos benefícios tributários. As medidas podem valer até 2029 e serão ativadas em caso de déficit fiscal.
O rombo de R$ 61,7 bilhões registrado nas contas do governo central em 2025 já começa a impactar diretamente o planejamento fiscal em Brasília. Diante do avanço das despesas obrigatórias, o governo federal se prepara para acionar, a partir de 2027, os chamados gatilhos do arcabouço fiscal, mecanismo que deve impor freios ao crescimento dos gastos públicos.

A medida está prevista na lei complementar que criou o novo arcabouço fiscal, aprovada no fim de 2024. A proposta estabelece a ativação automática de restrições sempre que as contas públicas saírem da trajetória considerada sustentável.
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Quando as regras começam a valer
A expectativa do governo é que os dispositivos sejam regulamentados no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, com envio ao Congresso Nacional previsto para 15 de abril de 2026. A aplicação das regras, no entanto, depende do resultado fiscal: elas só entram em vigor em cenários de déficit e deixam de valer quando houver superávit.
As restrições terão alcance amplo e deverão atingir todas as gestões, independentemente de orientação política, com exceção de situações extraordinárias, como calamidades públicas.
Impacto nos gastos com pessoal
Um dos principais efeitos dos gatilhos será sobre as despesas com pessoal. A partir de 2027, esses gastos poderão crescer acima da inflação, mas com limite de até 0,6% em termos reais — abaixo do teto geral de 2,5% previsto para as despesas totais.
Dados do Portal Correio apontam que as despesas com pessoal somaram R$ 412,1 bilhões em 2025, com alta real de 4,3%. Para este ano, a projeção é de R$ 457,6 bilhões, ampliando a pressão sobre o equilíbrio fiscal.
Na prática, o mecanismo pode restringir reajustes salariais, reduzir o espaço para novos concursos públicos e limitar benefícios adicionais no funcionalismo. A Secretaria de Orçamento Federal (SOF) ficará responsável por monitorar os gastos e garantir o cumprimento do subteto.
Fim da expansão de benefícios tributários
Outro eixo central do pacote fiscal é o controle dos benefícios tributários. Enquanto os gatilhos estiverem ativos, ficará proibida a criação de novos incentivos fiscais, além da ampliação ou renovação dos já existentes.
Segundo a proposta, o objetivo é reforçar a credibilidade da política fiscal e reduzir a percepção de risco por parte de agentes econômicos, diante da trajetória das contas públicas.
Projeções indicam restrições prolongadas
As estimativas do governo indicam que o cenário de déficit pode se prolongar: R$ 59,8 bilhões em 2026 e R$ 28 bilhões em 2027. Com isso, os gatilhos podem permanecer ativos até 2029.
Mesmo com metas formais de superávit de 0,25% do PIB em 2026 e de 0,5% em 2027, o que define a ativação das regras é o resultado efetivo das contas públicas.
Pressão política e econômica
O cenário coloca o governo em uma posição de equilíbrio delicado entre a necessidade de ajuste fiscal e a pressão por ampliação de gastos e manutenção de políticas públicas.
Com previsão legal de ativação automática, os gatilhos devem intensificar o debate político nos próximos anos, especialmente sobre a capacidade de cumprir metas fiscais sem comprometer investimentos e demandas sociais.
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