A greve geral realizada nesta quinta-feira (19) na Argentina terminou em protestos e confrontos entre manifestantes e a polícia em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires. A paralisação foi convocada contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei, em discussão na Câmara dos Deputados. O ato afetou transporte público, voos, comércio e serviços essenciais, e teve repressão policial com uso de gás lacrimogêneo e canhões d’água após tentativa de manifestantes de romper bloqueios de segurança.

Foto: Reprodução
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A maior central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), liderou a mobilização, considerada a de maior adesão desde o início do governo Milei. As ruas da capital amanheceram vazias, com estações de trem praticamente desertas e forte impacto no sistema de transporte urbano e aéreo, inclusive com reflexos em voos internacionais.

Segundo a imprensa local, o confronto teve início quando grupos contrários à reforma tentaram furar os bloqueios montados ao redor do Congresso, onde deputados analisavam o texto já aprovado pelo Senado. A polícia respondeu com dispersão da multidão, e houve registro de detenções, repetindo o cenário de protestos da semana anterior, quando cerca de 30 pessoas foram presas em atos semelhantes.

O projeto de reforma trabalhista é considerado uma das maiores mudanças na legislação do trabalho no país em décadas. A proposta flexibiliza contratos, altera regras de férias e jornada, amplia o período de experiência, facilita demissões e impõe limites ao direito de greve em setores considerados essenciais. O governo argumenta que as medidas são necessárias para reduzir custos, combater a informalidade e estimular o emprego e o investimento.

Para acelerar a tramitação e garantir apoio político, o governo negociou alterações no texto original, incluindo a retirada do artigo que permitiria o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por meio de carteiras digitais. A expectativa do Planalto argentino é votar o texto na Câmara até o fim de fevereiro, antes da abertura oficial do período legislativo.

Enquanto o debate avançava dentro do Congresso, do lado de fora sindicatos, movimentos sociais e organizações de esquerda reforçaram as críticas ao projeto, alegando perda de direitos históricos dos trabalhadores. O governo, por sua vez, havia determinado medidas especiais de segurança para a imprensa e alertado para “situações de risco” durante os protestos, sinalizando tolerância zero a atos de violência.

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