A convocação de uma guarda prisional e a divulgação de novos documentos reacenderam dúvidas sobre a morte de Jeffrey Epstein. Falhas na vigilância, ausência de imagens e suspeitas de destruição de provas continuam alimentando questionamentos sobre o caso.
Nos anos seguintes à morte do financista Jeffrey Epstein, em 10 de agosto de 2019, teorias da conspiração sobre as circunstâncias do caso continuaram a circular. Agora, novas revelações e a convocação de uma das guardas de plantão reacendem os questionamentos.
Depoimento adiado no Congresso
A agente penitenciária Tova Noel foi convocada a depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos. O depoimento estava previsto para esta quinta-feira (26), mas foi adiado por questões de agenda.
Noel trabalhava na Unidade de Habitação Especial do Centro Correcional Metropolitano de Nova York e era responsável, junto com o colega Michael Thomas, por monitorar Epstein na noite de sua morte.
Falhas na vigilância
Segundo os protocolos, os agentes deveriam realizar verificações a cada 30 minutos. No entanto, ambos foram acusados de não cumprir o procedimento e até de dormir durante o turno.
Além disso, câmeras de segurança próximas à cela não registraram imagens naquela noite, devido a falhas antigas no sistema, conforme relatório do Departamento de Justiça dos EUA divulgado em 2023.
Novos documentos levantam dúvidas
A divulgação recente de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe novos detalhes sobre as últimas horas de Epstein, mas não esclareceu completamente o caso.
Entre os pontos revelados, está o fato de que Noel pesquisou na internet por notícias sobre Epstein menos de uma hora antes de o corpo ser encontrado.
Os arquivos também mencionam depósitos em dinheiro feitos por ela nos meses anteriores, além de alegações de um detento de que documentos relacionados ao caso teriam sido destruídos após a morte do financista.
Acusações contra agentes foram retiradas
Em 2019, Tova Noel e Michael Thomas foram acusados de falsificar registros que indicavam verificações regulares na cela de Epstein.
Ambos foram demitidos, mas as acusações criminais foram posteriormente retiradas após um acordo que incluiu prestação de serviços comunitários e cooperação com investigações internas.
Estrutura precária e falta de imagens
Um relatório do inspetor-geral apontou que metade das câmeras da prisão não funcionava na época, o que comprometeu a coleta de provas por parte do FBI.
A ausência de imagens contribuiu para o surgimento de teorias de que Epstein poderia ter sido assassinado, já que mantinha relações com figuras influentes, incluindo políticos, empresários e celebridades.
Relatos contraditórios sobre suicídio
Antes de sua morte, Epstein chegou a ser colocado sob vigilância por risco de suicídio após um episódio em julho de 2019. Inicialmente, ele alegou ter sido atacado por seu colega de cela, Nicholas Tartaglione, mas depois recuou da versão.
Em avaliações psicológicas, afirmou não ter intenção de tirar a própria vida e disse estar focado em sua defesa judicial.
Ainda assim, ele foi encontrado morto em sua cela, em um aparente suicídio por enforcamento, utilizando tiras de tecido.
Alegações de destruição de provas
Documentos também revelam que um detento relatou que funcionários da prisão teriam destruído registros relacionados ao caso dias após a morte de Epstein.
Um funcionário chegou a informar o FBI sobre a existência de sacos com papéis triturados, levantando suspeitas sobre possível eliminação de provas. Não há confirmação de que o material tenha sido analisado.
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