Em comunicado de revendedores indica que a distribuidora Ipiranga planeja reajustar os preços a partir de 4 de março, reforçando a pressão inflacionária no setor. A Abicom alertou ainda que os preços domésticos estão defasados em relação à paridade internacional, e que essa diferença atinge níveis recordes, com o diesel brasileiro sendo vendido muito abaixo do preço de importação.

Gasolina (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)
Gasolina (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Apesar da Petrobras ainda não ter oficializado novos reajustes, os valores dos combustíveis no Brasil já começam a sofrer reflexos da escalada do conflito no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada do país já estão repassando o aumento dos custos para os postos de gasolina.

Segundo representantes do setor, a alta nas cotações internacionais do petróleo tornou as importações mais caras, o que tem pressionado o preço de venda aos consumidores finais. No Nordeste, a refinaria de Mataripe realizou dois ajustes no diesel e um na gasolina desde o início do conflito.

Levantamento da Folha indica que postos em pelo menos quatro estados, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, já estão pagando mais pelos combustíveis, impactando diretamente o preço nas bombas.

Diesel mais caro em São Paulo e Paraná

Embora sindicatos de revendedores evitem detalhar valores, um empresário de postos na capital paulista afirmou que o diesel está R$ 0,26 mais caro por litro desde o começo da semana. Já o Paranapetro, que representa os revendedores do Paraná, descreve a elevação como “expressiva”.

O sindicato de postos do Rio de Janeiro destacou em nota que as atacadistas também compram derivados de importadoras, que, por sua vez, vêm aumentando os preços em função da guerra no Oriente Médio. A expectativa é que essa pressão continue refletindo nos valores pagos pelo consumidor.

Ipiranga anuncia reajuste nos combustíveis

A rede Ipiranga informou a revendedores de Minas Gerais que, “em razão da escalada de eventos externos que elevaram os preços do petróleo e seus derivados, haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março”. Em comunicado enviado à Folha, a empresa destacou que os custos do setor de combustíveis são impactados por diversos fatores de mercado.

“No caso do diesel, cerca de 30% do volume consumido no país é proveniente de importações”, explicou a distribuidora. “Diante desse cenário, a Ipiranga monitora continuamente as condições do mercado e pode implementar ajustes comerciais quando necessário”.

Abicom alerta para defasagem histórica

Segundo o Paranapetro, as distribuidoras tendem a repassar rapidamente os aumentos dos combustíveis aos postos, enquanto reduções nos preços muitas vezes são demoradas ou nem chegam integralmente ao consumidor. As grandes empresas do setor, Raízen e Vibra, não se pronunciaram sobre o tema.

A Abicom alertou que a defasagem entre os preços internos e o mercado internacional atingiu níveis históricos e defendeu que os repasses sejam feitos para o consumidor final.

Na abertura do mercado, o diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro abaixo da paridade de importação, enquanto a gasolina apresentava diferença média de R$ 0,42 por litro no mercado e R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras. Isso evidencia a necessidade de ajustes para alinhar os preços internos às cotações internacionais.

Monitoramento dos preços

Segundo especialistas, monitorar constantemente os preços dos combustíveis no Brasil em relação às cotações internacionais é fundamental para reduzir riscos de desabastecimento e evitar desequilíbrios na logística da cadeia de suprimentos.

A Petrobras afirma que analisa continuamente o cenário do mercado e realiza reajustes apenas quando os preços do petróleo se estabilizam em novos níveis. Nesta quinta-feira, o barril do petróleo Brent registrava alta de cerca de 4%, aproximando-se de US$ 85.

Dados da ANP mostram que, em 2025, o diesel importado representou 27,35% das vendas no país. A Petrobras foi responsável por 47,7% dessas importações, enquanto o restante ficou a cargo de empresas privadas.

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