O assassinato do ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo e secretário de Segurança de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, nesta segunda-feira (15), em uma emboscada no litoral paulista, ocorre após exatos seis anos de ameaças diretas do Primeiro Comando da Capital (PCC), comandado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Há 6 anos, Marcola já havia mandado matar delegado Ruy Ferraz Fontes

O assassinato do ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo e secretário de Segurança de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, nesta segunda-feira (15), em uma emboscada no litoral paulista, ocorre após exatos seis anos de ameaças diretas do Primeiro Comando da Capital (PCC), comandado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o carro de Ruy Ferraz foi perseguido por criminosos armados. O delegado tentou escapar, mas colidiu contra um ônibus e capotou. Em seguida, homens desceram de uma Toyota Hilux preta e dispararam várias vezes contra ele. O veículo utilizado no ataque foi encontrado incendiado pouco depois.

SSP envia 100 policiais para apurar morte de ex-delegado conhecido por combater o PCC (Foto: Estado de São Paulo)

SSP envia 100 policiais para apurar morte de ex-delegado conhecido por combater o PCC (Foto: Estado de São Paulo)

Ameaça antiga de Marcola

Considerado um dos principais inimigos do PCC, Ruy chegou a ser jurado de morte por Marcola em 2019, após conduzir investigações que comprometeram o líder máximo da facção.

Documentos obtidos pelo Ministério Público mostravam que o chefe da facção determinou, mesmo preso em regime de isolamento federal, a morte de três policiais como forma de “retaliação” pela sua transferência de presídio, entre eles, estava o ex-delegado.

Em uma carta apreendida em 2023, a cúpula do PCC ordenava ataques contra autoridades e listava o nome do delegado como alvo prioritário, junto a outros investigadores que atuaram no combate ao crime organizado.

O recado deixava claro: quem não cumprisse a “missão” sofreria punições dentro da facção.

As investigações apontaram que a ordem de Marcola foi repassada ao Bonde dos 14, uma célula da facção que atuava na Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista. O grupo, responsável por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens, teria se reunido em março de 2023 para organizar os ataques contra policiais, incluindo o delegado geral.

Entre os nomes citados estavam criminosos conhecidos como Koringa, Mimo, Barata, Tererê e Corintiano, apontados como executores da missão de eliminar o delegado.

Com 40 anos de carreira, Ruy Ferraz Fontes era visto como um dos maiores especialistas em inteligência e enfrentamento ao PCC, tendo conduzido operações que desarticularam núcleos da facção no estado.

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