Um homem de 36 anos ficou careca, desenvolveu vitiligo e perdeu completamente a capacidade de suar após fazer uma tatuagem no braço com tinta vermelha. O caso extremo chamou a atenção da comunidade científica e passou a ser investigado pela Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia.

As inflamações da pele do paciente eram bem evidentes nas áreas com presença de tinta vermelha, que foi posteriormente removida através de cirurgias  (Foto: Magdalena Łyko/Clinics and Practice)
As inflamações da pele do paciente eram bem evidentes nas áreas com presença de tinta vermelha, que foi posteriormente removida através de cirurgias (Foto: Magdalena Łyko/Clinics and Practice)

Um homem de 36 anos ficou careca, desenvolveu vitiligo e perdeu completamente a capacidade de suar após fazer uma tatuagem no braço com tinta vermelha. O caso extremo chamou a atenção da comunidade científica e passou a ser investigado pela Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia.

A história começou cerca de quatro meses após o procedimento, realizado em agosto de 2020, quando o homem tatuou um grande desenho colorido no antebraço. Em pouco tempo, ele passou a apresentar coceira intensa, erupções cutâneas pelo corpo, unhas amareladas, queda total de cabelo, inchaço dos gânglios linfáticos e a perda completa da transpiração.

Dois anos depois, surgiram manchas claras na pele, características do vitiligo, condição autoimune que provoca a despigmentação da pele.

Investigação médica aponta tinta vermelha como causa

Durante meses, médicos tentaram identificar a origem das reações severas, sem sucesso. A suspeita só surgiu quando observaram que as partes vermelhas da tatuagem — flores e chamas — permaneciam inchadas, indicando uma possível reação ao pigmento.

Uma biópsia de um linfonodo na virilha revelou a presença de partículas da tinta vermelha que haviam migrado para outras regiões do corpo.
“Foi realizada biópsia de um linfonodo aumentado na virilha, e seu aspecto microscópico correspondeu ao diagnóstico de linfadenopatia dermatopática”, descrevem os autores do estudo.

Cirurgias melhoraram quadro, mas sequelas permaneceram

Após a remoção cirúrgica das áreas inflamadas da tatuagem, o cabelo do paciente voltou a crescer e o vitiligo deixou de avançar. No entanto, a anidrose (incapacidade de suar) permaneceu irreversível, devido a danos permanentes nas glândulas sudoríparas.

Consequências graves para a vida profissional

A impossibilidade de suar aumentou significativamente o risco de insolação, o que obrigou o homem a abandonar sua carreira militar. O caso foi destacado pela revista New Scientist, que ressaltou a raridade e a gravidade da reação.

Os pesquisadores alertam que, embora raras, reações sistêmicas graves a tintas de tatuagem, especialmente vermelhas, podem ocorrer, reforçando a necessidade de estudos mais rigorosos sobre a composição desses pigmentos.

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