Cristiano Alves Terto foi absolvido de tentar matar Francisco Cleidivaldo dentro de um fórum em Pernambuco. O ataque, ocorrido durante um júri em 2023, foi motivado por vingança pela morte do pai de Cristiano, ocorrida em 2012 após briga por um burro. Cleidivaldo sobreviveu aos seis tiros e o processo contra ele foi transferido para outra comarca por segurança.
Cristiano Alves Terto foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio pelo Conselho de Sentença da 3ª Vara do Júri da Capital, no Recife. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na segunda-feira (20).

O julgamento, ocorrido no dia 10 de abril, analisou o ataque promovido por Cristiano contra Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, réu que estava sendo julgado pela morte do pai do atirador.
O crime de vingança aconteceu em novembro de 2023, dentro do Fórum Dr. Geraldo Sobreira de Moura, em São José do Belmonte. Na ocasião, Cristiano interrompeu a sessão pública e efetuou seis disparos contra o réu. Apesar da gravidade do ataque e da prisão em flagrante com um revólver calibre 38, o júri decidiu pela absolvição do atirador em relação à tentativa de assassinato contra o homem que matou seu pai.
Cenas de pânico registradas por câmeras
As imagens das câmeras de segurança do fórum registraram a dinâmica do ataque em detalhes. No vídeo, Cristiano aparece inicialmente sentado na plateia ao lado de uma mulher. Em um movimento brusco, ele se levanta, caminha em direção ao réu e inicia os disparos. A mulher que o acompanhava ainda tenta impedi-lo, puxando-o pela camisa, mas sem sucesso. Francisco Cleidivaldo foi atingido por seis tiros enquanto corria pela sala para tentar se proteger.
O pânico foi generalizado: advogados, testemunhas e o próprio juiz foram filmados correndo para abandonar o recinto e buscar abrigo. Além dos tiros, Cristiano chegou a agredir o réu com coronhadas na cabeça quando conseguiu se aproximar. Após o atentado, o ferido foi levado ao Hospital de Serra Talhada para tratamento médico, enquanto o atirador foi detido imediatamente pela polícia local.
Assista ao vídeo:
Motivação: conflito por um curro em 2011
A origem da violência ocorreu em outubro de 2012, quando o pai de Cristiano, Francisco Alves, foi morto após uma discussão banal. Segundo o processo, Francisco Cleidivaldo (a vítima do fórum) procurava um burro que havia fugido de sua propriedade rural. Ao questionar Francisco Alves sobre o animal, recebeu uma resposta grosseira: “Saia da minha propriedade seu ladrãozinho safado”.
O conflito escalou quando o pai do atirador teria sacado um pedaço de madeira. Em resposta, Cleidivaldo efetuou os disparos. Francisco Alves foi socorrido e transferido para um hospital em Arcoverde, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu 18 dias depois. Cristiano Alves Terto esperou mais de uma década para tentar vingar a morte do pai justamente no momento em que o assassino estava sentado no banco dos réus.
Transferência de julgamento e segurança
Após o atentado a tiros dentro da sala de audiências, o juízo de São José do Belmonte solicitou o desaforamento do processo original de Francisco Cleidivaldo. Essa prática consiste na transferência do local de julgamento para outra comarca, visando garantir a ordem pública, a integridade das partes e a imparcialidade dos jurados. Atualmente, o processo contra Cleidivaldo pelo homicídio de 2011 tramita na Vara Única de São José do Belmonte, mas o desaforamento segue sob análise.
O magistrado responsável entendeu que o cenário de violência extrema dentro do fórum comprometia a lisura do processo original. A medida busca evitar que novos episódios de vingança ocorram, assegurando que o réu acusado de homicídio qualificado possa ser julgado sem o risco de novos atentados, já que o ambiente da comarca original foi considerado inseguro após a invasão armada de Cristiano
Cristiano Alves Terto, o autor do ataque no tribunal, obteve a absolvição pelo Conselho de Sentença. O TJPE confirmou a decisão dos jurados da capital, encerrando o capítulo da tentativa de homicídio contra Cristiano, enquanto o processo de 2011 continua tramitando na justiça pernambucana.
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