A investigação sobre o assassinato de Geniane Pereira, de 20 anos, em Pontal, aponta que o principal suspeito, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, teria desenvolvido uma visão de posse em relação à vítima. Segundo o delegado Cláudio Messias, o homem não aceitava a rejeição e interpretava a jovem como se tivesse algum tipo de controle sobre ela.

Geniane Pereira e Cleomar Borges (Reprodução/Redes Sociais)
Geniane Pereira e Cleomar Borges (Reprodução/Redes Sociais)

Novas evidências incluídas no inquérito policial revelam o lado mais sombrio de Cleomar Borges Gomes, de 53 anos. Antes de ser preso em Ribeirão Preto, o assassino confesso de Geniane Pereira enviou mensagens de áudio a familiares que comprovam que o crime foi planejado. Cleomar admitiu, com frieza, que vigiava a rotina da vítima e da própria filha.

Geniane Pereira, de 20 anos (Reprodução/Redes Sociais)

“Eu estava seguindo essas meninas fazia dias. Ela estava pensando que eu não estava sabendo onde que descia, aonde que pegava [o ônibus]. A pessoa está enganadinha”, disparou o criminoso em um dos áudios que agora estão nas mãos da Polícia Civil.

A fúria de Cleomar não se limitou a Geniane. Em outra troca de mensagens, o suspeito destilou ódio contra os próprios parentes que o repreendiam por seu comportamento. O criminoso afirmou que não descansaria até atingir todos que o chamavam de “velho safado”.

“Enquanto eu não me vingar de um por um, eu não sossego. Não vai sobrar um, não sobra um que fez mal pra mim”, ameaçou Cleomar.

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Testemunhas começam a ser ouvidas

O delegado Cláudio Messias afirmou que os depoimentos colhidos logo após o crime reforçam a linha de investigação sobre o comportamento do suspeito antes do homicídio de Geniane Pereira, de 20 anos, em Pontal. Segundo ele, outras testemunhas ainda devem ser ouvidas nos próximos dias para aprofundar a apuração.

Durante coletiva, o delegado destacou que o primeiro relato obtido após o assassinato já indicava a existência de investidas e comportamento possessivo por parte do suspeito. Ele também afirmou que, diante das evidências reunidas até o momento, o investigado não deve voltar ao convívio social por um longo período.

Na delegacia, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, confessou ter desferido as facadas contra a jovem e disse estar arrependido. No entanto, apresentou versões consideradas inconsistentes pela polícia, tentando justificar o ato ao alegar supostas ofensas e a presença de outros homens na residência, argumentos que não são aceitos como justificativa para o crime.

Filha descreve comportamento do pai

A filha de Cleomar, que presenciou a amiga ser morta com nove facadas, descreveu o pai como um homem extremamente controlador. Ela revelou que Geniane já havia relatado episódios de importunação sexual, mas tentava tratar como “brincadeira” para evitar conflitos dentro da residência. No dia 24 de abril, a vigilância de Cleomar se transformou no ataque brutal em via pública, atingindo o pescoço, tórax e abdômen da jovem.

De acordo com a investigação, Geniane foi atacada enquanto seguia para o trabalho ao lado da amiga, filha do suspeito. Ela foi atingida por ao menos nove golpes de faca.

As duas jovens haviam se mudado recentemente para a residência do suspeito, há cerca de duas semanas, com a intenção de trabalhar em uma empresa multinacional. O caso segue sob investigação para esclarecer todas as circunstâncias do crime.

“Ele entende que porque a moça estava hospedada na casa dele, logo seria propriedade dele. Então, na verdade, ele não queria um relacionamento, ser namorado dela, ele achava que ela era propriedade dele, que ela tinha que ceder aos assédios dele”, disse o delegado.

Geniane Pereira e Cleomar Borges (Reprodução/Redes Sociais)

A filha também contou que, após saber que as duas estavam conhecendo outra pessoa e planejando se mudar de residência, Cleomar passou a apresentar comportamento mais agressivo, com xingamentos e ameaças direcionadas a ambas.

Prisão de Cleomar

O suspeito foi localizado por policiais militares em uma praça no município de Ribeirão Preto, na quarta-feira (29), cinco dias após o assassinato de Geniane em Pontal — cidades que ficam a cerca de 38 km de distância.

Considerado foragido desde o dia do crime, Cleomar foi detido e encaminhado para uma unidade prisional da região, onde permanece preso temporariamente. Por razões de segurança, o local exato de custódia não foi divulgado pelas autoridades.

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