Mensagens enviadas à senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) por um suposto perseguidor revelam um padrão de assédio que motivou a Polícia Federal a deflagrar, nesta terça-feira (9), uma operação para investigar crimes de perseguição e violência política de gênero contra diversas mulheres, incluindo a parlamentar.
Mensagens enviadas à senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) por um suposto perseguidor revelam um padrão de assédio que motivou a Polícia Federal a deflagrar, nesta terça-feira (9), uma operação para investigar crimes de perseguição e violência política de gênero contra diversas mulheres, incluindo a parlamentar.
As capturas de tela obtidas pelo Metrópoles mostram conteúdos enviados à senadora em diferentes datas. Ainda não há confirmação de que todas as mensagens partam do alvo da operação realizada hoje.
Em 5 de novembro, Thronicke recebeu um e-mail de um remetente identificado como “Ítalo Almeida Gala”, que iniciou a comunicação com mensagens sugestivas: “Mamãe prepara um quarto para mim morar com a senhora. Te amo muito.” Mais tarde, ele acrescentou: “Mamãe não vai precisar expor na mídia que a senhora me adotou. Te amo muito.”

(Foto: Reprodução/Metrópoles)
No dia seguinte, 6 de novembro, o mesmo remetente enviou três fotos de seu pênis e continuou com mensagens pedindo para morar com a senadora, mencionando uma terceira pessoa como “amigo”. Em 7 de novembro, enviou mensagens pela manhã com tom afetivo e reiterando pedidos para que Thronicke arrumasse um quarto para ele.
Nesta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Duque de Caxias (RJ) no âmbito da Operação Assédio. A investigação também inclui outras vítimas, como a deputada federal de Goiás Silvye Alves (UB).
Medidas cautelares
Além das buscas, a Justiça determinou medidas restritivas ao investigado: ele está proibido de acessar a internet, manter contato com as vítimas ou sair da Região Metropolitana do Rio de Janeiro sem autorização judicial.
A PF ressaltou que a ação integra o combate à violência política de gênero, que visa intimidar e silenciar mulheres na vida pública. Segundo os investigadores, o comportamento do suspeito configura perseguição sistemática, com ataques direcionados às parlamentares para interferir no exercício de suas funções.
Pronunciamento de Soraya Thronicke
Após o episódio, a senadora se pronunciou nas redes sociais.
“Hoje veio à tona mais um caso que escancara o que muitas de nós enfrentamos em silêncio: o assédio e a violência contra as mulheres. Um stalker, que por meses enviou mensagens obscenas e ameaças para mim e para outra parlamentar, está sendo investigado e precisa ser punido pela Justiça. Fotos explícitas, palavras de cunho sexual e até ameaças, reduzindo nosso trabalho a uma visão sexualizada. Isso não é normal. Isso é crime!”, escreveu.
Soraya destacou que, como mulher, não aceitará que estar em espaços de poder signifique ficar exposta diariamente a esse tipo de violência, afirmando que seguirá denunciando, cobrando e exigindo justiça, e reforçando que o respeito já passou da hora.
A assessoria da senadora também reforçou que Thronicke não foi avisada previamente sobre a operação, mas que confia plenamente no trabalho da Polícia Federal. Ao longo de seu mandato, a parlamentar já foi alvo de ameaças e assédios, incluindo riscos à integridade de sua família, o que evidencia atitudes sexistas e criminosas contra mulheres em cargos públicos.
