Acusado de matar a ex-esposa e atacar os filhos em Curitiba, José Luiz Rissardo pediu transferência alegando risco de morte na prisão. A Justiça já aceitou a denúncia por feminicídio e outras três tentativas de homicídio. Depoimentos dos filhos revelam histórico de ameaças, violência sexual, controle e premeditação do crime.

Homem que queria ficar famoso por 'matar muita gente' agora tem medo de morrer na prisão e pediu transferência
Homem que queria ficar famoso por 'matar muita gente' agora tem medo de morrer na prisão e pediu transferência

José Luiz Rissardo, acusado de matar a ex-esposa a facadas e ferir os filhos durante um ataque brutal em 21 de outubro, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), afirmou ter medo de morrer na prisão. O réu foi transferido para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, após pedir mudança de unidade durante uma audiência no dia 6.

No depoimento, Rissardo exibiu ferimentos na cabeça e alegou que os pontos estavam “abrindo” dentro da prisão. Ele afirmou que as marcas surgiram logo após o assassinato e declarou que os machucados teriam sido provocados pelos próprios filhos, que tentaram impedir o ataque.
“Aqui é um lugar que, às vezes, eu corro um sério risco de vida. Sobre o crime que eu cometi, é meio… até me comunicaram pra eu não falar nada”, disse, em trecho obtido pela Ric RECORD.

Ele dizia querer ficar famoso por ‘matar muita gente’

O filho de 19 anos relatou que o pai tinha o desejo de ganhar notoriedade cometendo mortes. Segundo o jovem, José Luiz já se mostrava agressivo, fazia ameaças constantes e controlava a rotina da mãe, Claudia Valéria, de 45 anos, morta no ataque. O jovem também mencionou que o pai era viciado em sexo e gastava grandes quantias em sites de relacionamento, enquanto as despesas da família se acumulavam.

Denúncia aceita pela Justiça

O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou José Luiz por feminicídio consumado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado e ameaça. A Justiça aceitou a denúncia ao considerar que havia indícios suficientes de autoria e materialidade.

A acusação destacou histórico de violência, premeditação e o fato de o crime ter ocorrido diante dos filhos. O caso agora segue para a fase de instrução.

“A defesa vê com serenidade o início da persecução, que é o momento adequado para firmar a tese e ouvir testemunhas. O José vai responder pelos crimes”, disse o advogado Márcio Lourenço, à Ric RECORD.

Histórico de ameaças e violência

Os filhos relataram que a mãe já havia pedido medida protetiva dois dias antes do ataque, em 18 de outubro. A ordem foi concedida, mas o agressor ainda não havia sido localizado para ser notificado.

Os depoimentos revelam também que Claudia era obrigada a manter relações sexuais com o acusado e que a família vivia sob constante intimidação. Eles afirmam que José Luiz falava com mulheres em sites de relacionamento como se fosse solteiro e planejava o crime dias antes.

Dinâmica do ataque

O ataque ocorreu dentro da panificadora onde a família morava e trabalhava. Segundo a investigação, o acusado entrou pelos fundos, subiu no telhado e surpreendeu Claudia por trás, golpeando-a com uma faca após empurrar um carrinho de pães contra a filha.

A jovem tentou defender a mãe e foi esfaqueada no tórax. “Ele olhou bem no meu olho e falou: ‘Você que foi malcriada comigo, agora vai ser a sua vez’”, contou.

Imagens de câmera de segurança mostram o filho correndo para pedir ajuda do lado de fora. Ele ainda usou um cavalete de anúncios para tentar deter o pai. Marcos José de Souza, irmão de Claudia, afirmou que o crime foi claramente planejado. “Ele afiou as facas antes de entrar.”

Mesmo após ser imobilizado e socorrido, o acusado continuou fazendo ameaças: “Quando ele saiu na maca, falou que eu tinha escapado, mas que ia sair da cadeia e me levar junto”, disse o filho.

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