A final da Copa Intercontinental 2025, que acontece nesta quarta-feira (17), às 14h (horário de Brasília), entre Paris Saint-Germain, da França, e Flamengo, do Rio de Janeiro, vai muito além das quatro linhas do campo. A decisão, disputada em Doha, no Catar, mobilizou flamenguistas de todo o Brasil, que viajaram milhares de quilômetros para acompanhar o confronto histórico.
Mas, junto com a expectativa pelo título, a partida também levanta um debate que ganha cada vez mais espaço: o fanatismo pelo futebol, especialmente entre homens, e a forma como o esporte se tornou um dos principais canais de expressão emocional masculina.
Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology ajuda a derrubar a ideia de que homens são “menos emocionais”. A pesquisa revela que eles expressam sentimentos de forma muito mais intensa em contextos esportivos, principalmente no futebol, do que em situações afetivas do cotidiano.
A final da Copa Intercontinental 2025, que acontece nesta quarta-feira (17), às 14h (horário de Brasília), entre Paris Saint-Germain, da França, e Flamengo, do Rio de Janeiro, vai muito além das quatro linhas do campo. A decisão, disputada em Doha, no Catar, mobilizou flamenguistas de todo o Brasil, que viajaram milhares de quilômetros para acompanhar o confronto histórico.
Mas, junto com a expectativa pelo título, a partida também levanta um debate que ganha cada vez mais espaço: o fanatismo pelo futebol, especialmente entre homens, e a forma como o esporte se tornou um dos principais canais de expressão emocional masculina.
Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology ajuda a derrubar a ideia de que homens são “menos emocionais”. A pesquisa revela que eles expressam sentimentos de forma muito mais intensa em contextos esportivos, principalmente no futebol, do que em situações afetivas do cotidiano.
Segundo os pesquisadores, homens podem chorar até quatro vezes mais por eventos esportivos do que por questões pessoais, como frustrações amorosas, términos de relacionamento ou conflitos emocionais. O levantamento aponta que fatores culturais e sociais moldam o que é permitido aos homens sentir e demonstrar, e o esporte surge como um espaço socialmente legitimado para essas manifestações.

PSG e Flamengo se enfrentam nesta quarta-feira (Foto: Divulgação/Fifa)
“Território emocional autorizado”
Para entender melhor esse fenômeno, o portal BacciNotícias ouviu a neurocientista Dra. Leninha Wagner, PhD em neurociências. Segundo ela, o futebol acessa um território afetivo coletivo e seguro. “No jogo, o roteiro é claro: há lados definidos, regras estáveis, tensão crescente e um desfecho. A emoção pode vir inteira, sem negociação”, explica.
A especialista ressalta que, diferentemente das relações íntimas, que exigem elaboração emocional e contato com vulnerabilidades, o futebol permite sentir sem ameaçar a imagem masculina.
“O choro ali não ameaça a imagem de si; ao contrário, reforça pertencimento.”
Identidade, pertencimento e validação

(Foto: Divulgação/PSG)
Outro ponto levantado pela pesquisa e reforçado pela psicologia é a forte identificação entre torcedor e time. Para muitos homens, essa relação supre necessidades emocionais profundas. “O time oferece uma identidade pronta, contínua e compartilhada. Ele diz quem sou, de onde venho, com quem estou”, afirma Leninha. “Torcer é participar de algo maior sem precisar se expor individualmente.”
Paixão saudável ou sinal de alerta?
Apesar do caráter agregador do esporte, o fanatismo também pode servir como alerta. Para a especialista, tudo depende da função que o futebol ocupa na vida emocional do torcedor. “Quando amplia a vida, cria laços, prazer e circulação de afeto, tende a ser saudável. Quando estreita e se torna o único canal de excitação e sentido, passa a funcionar como defesa.”
O que o futebol revela sobre os homens
A final entre PSG e Flamengo, portanto, não mobiliza apenas torcidas e expectativas esportivas, mas também expõe como o futebol se tornou um dos poucos espaços onde muitos homens se sentem autorizados a sentir intensamente.
“Talvez a ideia mais honesta seja esta”, conclui a neurocientista: “o futebol não cria emoções excessivas, ele revela onde elas encontraram permissão para existir.”
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