Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, rejeitou a indicação do PL para que Eduardo Bolsonaro assumisse a liderança da minoria. O deputado acumula ausências não justificadas, corre risco de perder o mandato e foi denunciado pela PGR por coação ao STF. A informação é de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação feita pelo PL para que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assumisse a liderança da minoria na Casa. A decisão, revelada por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, ocorre em meio ao acúmulo de ausências do parlamentar e pode acelerar um processo que leve à perda de seu mandato.
Segundo levantamento, Eduardo já registrava 18 faltas em 32 sessões deliberativas até o início de setembro, ultrapassando a marca de 50% de ausências. O regimento da Câmara prevê a perda de mandato para deputados que acumulam mais de um terço de faltas não justificadas. A situação ameaça diretamente o projeto do deputado de disputar a Presidência da República em 2026.
Motta baseou sua decisão em parecer jurídico que aponta irregularidades na indicação e reforça a obrigatoriedade de presença física em Brasília. O documento lembra que o registro remoto é exceção válida apenas em missões oficiais autorizadas pela Casa, o que não se aplica ao caso de Eduardo. O parlamentar declarou autoexílio nos Estados Unidos, mas não comunicou previamente sua saída do país à Presidência da Câmara, como determinam as regras.
Além de comprometer sua atuação legislativa, a ausência do deputado enfraquece sua pretensão de exercer a função de liderança, considerada de caráter essencialmente presencial. O parecer destaca que a função de líder da minoria exige a atuação direta no Congresso, o que Eduardo não poderia cumprir de fora do Brasil.
A decisão ocorre em um momento de alta tensão entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (22), a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra Eduardo por tentativa de coação a ministros do Supremo, enquanto o governo dos EUA ampliou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e sua família.
