Golpes virtuais ficaram mais sofisticados em 2026, impulsionados pelo uso de inteligência artificial. Em entrevista ao Bacci Notícias, a delegada Raquel Gallinati explica quais fraudes mais cresceram, como criminosos utilizam IA para enganar vítimas, quais erros são mais comuns e quais medidas devem ser adotadas para evitar prejuízos ou agir rapidamente após um golpe.
Os golpes virtuais continuam evoluindo e se tornando cada vez mais sofisticados. Com o uso de inteligência artificial, criminosos passaram a simular vozes, criar vídeos falsos e desenvolver abordagens mais convincentes para enganar vítimas em todo o país.

Golpes digitais – Foto: ilustrativa/redes sociais
Entre as fraudes que mais cresceram em 2026 estão as falsas centrais bancárias, os golpes em plataformas de comércio eletrônico, os falsos investimentos, a invasão de contas de aplicativos de mensagens, os boletos falsos e os links fraudulentos enviados por SMS, e-mail e redes sociais.
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Em entrevista ao Bacci Notícias, a delegada da Polícia Civil do Estado de São Paulo Raquel Gallinati explicou como esses crimes vêm se transformando e deu orientações para que a população evite cair nas armadilhas dos criminosos.
Quais golpes mais cresceram?
Segundo Gallinati, o avanço da tecnologia permitiu que organizações criminosas aperfeiçoassem suas estratégias e tornassem as fraudes mais difíceis de identificar.
“Destacam-se as falsas centrais bancárias, o golpe da falsa venda em plataformas de comércio eletrônico, o falso investimento, a invasão de contas de aplicativos de mensagens, o falso boleto e as fraudes praticadas por meio de links enviados por SMS, e-mail e redes sociais.”
A delegada destaca que um dos fenômenos mais preocupantes é o uso crescente da inteligência artificial para enganar as vítimas.
“Também houve um aumento expressivo de golpes que utilizam inteligência artificial para simular vozes e imagens de familiares ou de funcionários de instituições financeiras.”
Segundo ela, o crescimento dessas fraudes está diretamente ligado à digitalização das relações pessoais e financeiras.
“A ampla digitalização das relações interpessoais, o grande volume de informações nas redes sociais e o investimento das organizações criminosas em tecnologia explicam o aumento desses golpes.”
Inteligência artificial amplia poder dos criminosos
Se antes mensagens mal escritas eram um sinal de fraude, hoje os golpes se tornaram muito mais elaborados.
De acordo com Gallinati, criminosos utilizam inteligência artificial para produzir mensagens sem erros de português, criar vídeos falsos e até reproduzir a voz de familiares ou de funcionários de bancos.

Raquel Gallinati – Foto: Arquivo Pessoal
“Hoje, muitas vítimas acreditam estar falando com um filho, um gerente de banco ou até mesmo um servidor público, quando, na verdade, estão interagindo com criminosos.”
Embora os idosos ainda sejam os principais alvos, a delegada alerta que qualquer pessoa pode ser vítima.
“Pessoas que utilizam aplicativos bancários, fazem compras pela internet, investidores e usuários que expõem excessivamente sua rotina nas redes sociais também se tornaram alvos frequentes.”
Ela reforça que a exposição de informações pessoais facilita o trabalho das quadrilhas.
“O criminoso procura oportunidade. Quanto mais informações públicas a vítima disponibiliza, mais fácil se torna personalizar o golpe.”
Os erros que facilitam as fraudes
Segundo a delegada, o principal erro cometido pelas vítimas é agir por impulso.
“O erro mais frequente é agir com pressa. Os criminosos criam situações de urgência para impedir que a vítima analise antes de tomar uma decisão.”
Ela também alerta para outros comportamentos que aumentam o risco de prejuízo, como clicar em links enviados por mensagens, compartilhar códigos de verificação, informar senhas ou realizar transferências sem confirmar a identidade de quem está do outro lado.
A recomendação é simples: desconfiar sempre de pedidos urgentes envolvendo dinheiro ou dados pessoais.
“Antes de qualquer pagamento ou compartilhamento de informações, confirme a situação por outro meio de comunicação.”
Gallinati também orienta que a autenticação em dois fatores esteja sempre ativada e que celulares e computadores permaneçam atualizados.
Caiu em um golpe? Agilidade é essencial
Quem perceber que foi vítima de uma fraude deve agir imediatamente.
Segundo a delegada, a primeira providência é entrar em contato com o banco ou instituição financeira para tentar bloquear a transação e impedir novas movimentações.
Também é importante alterar senhas, bloquear contas comprometidas, guardar todas as provas — como conversas, comprovantes, números de telefone, links e e-mails — e registrar um boletim de ocorrência o mais rápido possível.
Gallinati explica que a Polícia Civil utiliza técnicas de investigação cibernética, rastreamento financeiro, análise de registros eletrônicos e cooperação com bancos, provedores de internet, plataformas digitais e até órgãos internacionais para identificar os criminosos.
“Embora nem sempre seja possível recuperar os valores, quanto mais rápida for a comunicação do crime, maiores são as chances de bloquear recursos e identificar os responsáveis.”
Prevenção ainda é a melhor defesa
Para a delegada, o combate aos crimes cibernéticos exige investimento constante em tecnologia, inteligência policial e integração entre forças de segurança, instituições financeiras e empresas de tecnologia.
Mesmo assim, ela afirma que a principal ferramenta contra os golpistas continua sendo a prevenção.
“Desconfie de ofertas vantajosas demais, nunca tome decisões sob pressão, confirme informações antes de realizar qualquer transferência e lembre-se de que a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz contra os golpes virtuais.”
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