Uma idosa entrou na Justiça contra a fabricante Ypê após alegar ter sofrido contaminação causada por um produto da marca. A ação, movida há cerca de cinco meses, pede uma indenização de R$ 765 mil por danos morais e materiais. O caso ganhou repercussão em meio às investigações envolvendo possíveis irregularidades em produtos da empresa e levantou debates sobre segurança e controle de qualidade.
A suspensão de determinados lotes de produtos da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) gerou apreensão entre consumidores em todo o país. A medida atingiu itens amplamente utilizados no dia a dia, como detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca,
Meses antes da suspensão recente de produtos determinada pela Anvisa, a fabricante Ypê já era alvo de uma disputa judicial relacionada a supostas falhas sanitárias em itens da linha Tixan Ypê.

Anvisa determinou recolhimento de lotes (Foto: Reprodução / Ypê)
O caso está em andamento na 4ª Vara Cível de Mauá, na Grande São Paulo, e envolve uma consumidora de 92 anos que busca uma indenização de R$ 765 mil por danos morais e materiais.
De acordo com o processo, a idosa afirma ter desenvolvido uma infecção urinária severa após utilizar detergentes líquidos da marca. A ação menciona que os produtos usados pela consumidora faziam parte de lotes incluídos posteriormente em um recall voluntário realizado pela empresa, após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em algumas unidades.
A defesa da Ypê, no entanto, contesta as acusações e afirma não haver comprovação de ligação entre os produtos e os problemas de saúde apresentados pela autora da ação. O episódio voltou a ganhar repercussão após a decisão da Anvisa de suspender determinados itens da fabricante por questões relacionadas à segurança sanitária.
Defesa da Ypê nega
Na defesa apresentada ao Judiciário, a Ypê rebateu as acusações e afirmou que não existem evidências científicas capazes de comprovar que a possível presença da bactéria nos produtos tenha potencial para causar infecções, inclusive em pessoas consideradas mais suscetíveis.
A empresa argumenta que o microrganismo citado no processo é comum no meio ambiente e que os procedimentos normais de lavagem eliminariam praticamente qualquer risco de contaminação.
Em documentos anexados à ação, a fabricante destacou que etapas como lavagem, centrifugação e secagem reduzem drasticamente a quantidade de microrganismos presentes nas peças, atingindo níveis considerados irrelevantes do ponto de vista microbiológico.
A companhia também questiona a ligação entre o produto utilizado pela consumidora e os lotes envolvidos no recall voluntário. Segundo a defesa, não há elementos suficientes que comprovem que o frasco citado no processo fazia parte dos itens recolhidos, mesmo que outros produtos tenham sido adquiridos no mesmo local e período.
Outro ponto levantado pela empresa é o estado de saúde da idosa. A defesa sustenta que a consumidora já possuía condições pré-existentes e fatores de risco que poderiam favorecer o desenvolvimento de infecção urinária, independentemente do uso dos produtos mencionados na ação judicial.
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Defesa aponta histórico clínico da consumidora
De acordo com os autos, a consumidora havia passado recentemente por um período delicado de saúde antes de adquirir os produtos da linha Tixan Ypê. A idosa ficou cerca de 15 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e deixou o hospital ainda utilizando sonda urinária, condição que, segundo a defesa da empresa, já representava um cenário propício para o surgimento de infecções.
Na manifestação apresentada à Justiça, a Ypê destacou que fatores como idade avançada, internação prolongada, uso de cateter vesical e o fato de a paciente ser do sexo feminino são condições amplamente associadas ao desenvolvimento de infecções urinárias.
A empresa afirma que o histórico clínico da consumidora aponta para causas pré-existentes independentes do uso dos produtos questionados na ação.
A fabricante também argumenta que não foram apresentados exames ou laudos laboratoriais capazes de comprovar ligação entre a infecção sofrida pela autora e a bactéria identificada em lotes recolhidos pela companhia. Segundo a defesa, não existe documentação médica que relacione diretamente o quadro infeccioso da paciente à presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Ypê detalha medidas adotadas
A Ypê também utilizou sua defesa para destacar a maneira como conduziu o recolhimento dos produtos envolvidos no caso. Segundo a fabricante, a retirada dos lotes do mercado ocorreu de forma voluntária logo após a identificação de alterações microbiológicas em determinados itens da linha, medida que teria sido adotada preventivamente.
A empresa afirmou que informou os órgãos de vigilância sanitária, além de distribuidores e consumidores, sobre o problema detectado. De acordo com a defesa, a comunicação oficial às autoridades aconteceu em novembro de 2025 e, na sequência, a campanha de recall passou a ser divulgada por diferentes canais, incluindo redes sociais, anúncios publicitários, site institucional e veículos de imprensa.
No processo, a fabricante ainda rejeita acusações de negligência e sustenta que agiu de forma transparente durante todo o procedimento. A companhia afirma ter tomado cuidados específicos para orientar grupos mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, e cita entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para defender que o recall voluntário demonstra responsabilidade e boa-fé por parte do fornecedor.
Enquanto as partes seguem apresentando argumentos, o caso continua em análise na Justiça e ainda aguarda uma decisão definitiva sobre o pedido de indenização.
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