O exemplar, denominado Megachelicerax cousteaui, foi estudado por pesquisadores da Universidade de Harvard e apresenta estruturas preservadas que permitiram identificar com precisão a origem desse grupo ainda no período Cambriano. O achado resolve uma dúvida antiga da ciência, já que fósseis anteriores não exibiam essas características de maneira conclusiva.
Um fóssil com cerca de 500 milhões de anos trouxe uma descoberta inédita para a ciência nesta quarta-feira (1°) ao revelar de forma clara as garras primitivas dos ancestrais de animais como aranhas, escorpiões e carrapatos.
O achado pertence a uma nova espécie, denominada Megachelicerax cousteaui, descrita por pesquisadores da Universidade Harvard em um estudo publicado na revista científica Nature.
A identificação do fóssil ajuda a solucionar uma questão antiga entre paleontólogos: em que momento e de que maneira surgiram essas estruturas características. Até então, havia incertezas sobre a origem das chamadas quelíceras, que são fundamentais para a alimentação e sobrevivência desses animais.
Os quelicerados formam um grupo que inclui diversas espécies, como aranhas, escorpiões, carrapatos, caranguejos-ferradura e aranhas-do-mar, todos marcados pela presença desse par de garras localizado na parte frontal do corpo. A descoberta representa um avanço importante na compreensão da evolução desses organismos ao longo da história da Terra.
Fósseis do Cambriano
Por muitos anos, cientistas apontaram possíveis representantes dos quelicerados no período Cambriano, mas nenhuma dessas hipóteses era totalmente convincente. O principal problema era a ausência de evidências diretas das estruturas que caracterizam esse grupo: as quelíceras, que raramente apareciam preservadas nos fósseis analisados.
A descoberta do Megachelicerax cousteaui muda esse cenário de forma decisiva. O exemplar apresenta quelíceras de tamanho incomum e em excelente estado de conservação, o que permitiu sua identificação de maneira clara e inédita. Com isso, os pesquisadores conseguiram confirmar que os quelicerados já existiam há cerca de 500 milhões de anos.
“A primeira confirmação inequívoca de como eram os ancestrais de aranhas e escorpiões vem do fato de o fóssil mostrar as quelíceras em forma de pinça com detalhes extraordinários”, disse ao g1 Javier Ortega-Hernández, professor associado de biologia evolutiva de Harvard e coautor do estudo.
Característica se assemelha a quelicerados modernos
A descoberta foi considerada pelos pesquisadores como o elemento que faltava para compreender melhor os primeiros estágios da evolução dos quelicerados. Para os cientistas, o fóssil representa uma peça-chave que ajuda a completar o entendimento sobre a origem dessas estruturas ao longo da história da vida.
A partir desse avanço, a equipe pretende ampliar as análises com novos fósseis e realizar comparações entre diferentes espécies, buscando esclarecer de forma mais detalhada como essas garras se desenvolveram ao longo do tempo.
As expedições também continuam em regiões promissoras, como o deserto de Utah, nos Estados Unidos, local onde o exemplar foi encontrado. A expectativa é que futuras descobertas tragam respostas para outras questões importantes, incluindo o momento em que esses animais passaram a ocupar ambientes terrestres.
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