Dormir bem sempre foi associado à saúde, mas agora o sono pode ir além do descanso. Um novo modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Stanford Medicine consegue prever o risco de desenvolvimento de doenças futuras a partir de apenas uma noite de sono.
Dormir bem sempre foi associado à saúde, mas agora o sono pode ir além do descanso. Um novo modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Stanford Medicine consegue prever o risco de desenvolvimento de doenças futuras a partir de apenas uma noite de sono.
Batizada de SleepFM, a tecnologia foi treinada com cerca de 600 mil horas de dados coletados de aproximadamente 65 mil participantes, permitindo identificar padrões que indicam riscos à saúde antes mesmo do surgimento dos sintomas.
Os dados analisados pela IA vêm da polissonografia, exame considerado padrão ouro para estudos do sono. Ele monitora diferentes sinais do corpo durante a noite, como:
- atividade cerebral
- batimentos cardíacos
- respiração
- movimentos musculares e oculares
A partir da combinação dessas informações, o modelo aprendeu a reconhecer relações entre o funcionamento do organismo durante o sono e o desenvolvimento de doenças ao longo do tempo.
De distúrbios do sono a doenças futuras
Inicialmente, o SleepFM foi testado em tarefas já conhecidas da medicina do sono, como a identificação dos estágios do sono e a gravidade da apneia. Depois, os pesquisadores avançaram para um desafio maior: prever doenças futuras com base no histórico clínico dos participantes, que inclui registros de saúde de mais de 50 anos.
O resultado foi a identificação de 130 doenças que podem ser previstas com boa precisão, entre elas câncer, transtornos mentais, doenças circulatórias e complicações na gravidez.
Quais doenças podem ser previstas
O desempenho da IA foi considerado alto, com índice de acerto acima de 80% em diversas condições. Entre os destaques estão:
- doença de Parkinson
- demência
- infarto
- doenças cardíacas hipertensivas
- câncer de mama e de próstata
- risco de morte
Para os pesquisadores, os dados mostram que o sono reflete de forma profunda o funcionamento geral do corpo
Próximos passos da pesquisa
Agora, a equipe trabalha para aprimorar o modelo com dados de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, além de desenvolver formas de tornar mais clara a interpretação das previsões feitas pela IA.
“Ficamos surpresos com a capacidade do modelo de fazer previsões relevantes para um conjunto tão diverso de doenças”, afirmou James Zou, professor de ciência de dados biomédicos da Stanford e um dos autores do estudo.
A expectativa é que, no futuro, tecnologias como essa ajudem a medicina a agir de forma mais preventiva, usando o sono como ferramenta para detectar riscos antes que as doenças se manifestem.
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