Investigado pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, Apolo Carvalho da Silva conseguiu deixar o Brasil, driblar autoridades e fugir para a Espanha, apesar de ter um mandado de prisão em aberto. O réu obteve um novo passaporte junto ao Consulado do Brasil no México, mesmo havendo determinação judicial que impedia a emissão do documento. O caso expôs uma falha grave na comunicação entre órgãos brasileiros e está sob apuração.

Pesquisa da Quaest aponta divisão da opinião pública sobre redução de penas nos atos de 8 de janeiro. Foto: Agência Brasil.
Pesquisa da Quaest aponta divisão da opinião pública sobre redução de penas nos atos de 8 de janeiro. Foto: Agência Brasil.

Um investigado pelos atos de 8 de janeiro conseguiu driblar autoridades brasileiras e fugir para a Europa mesmo com restrições judiciais em vigor. Apolo Carvalho da Silva, de 28 anos, acusado de incitação ao crime e associação criminosa, embarcou para a Espanha após obter um novo passaporte emitido pelo Consulado do Brasil no México, apesar de ter um mandado de prisão em aberto.

A informação foi confirmada por fontes do Itamaraty. Apolo estava foragido desde 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica e deixou o Brasil. Antes de chegar ao México, ele passou por Argentina, Peru e Colômbia, até se estabelecer no estado de Querétaro, onde permaneceu entre janeiro e dezembro de 2025.

Em setembro do ano passado, o investigado registrou um boletim de ocorrência alegando perda do passaporte enquanto estava no México como turista. Com o documento, procurou o Consulado do Brasil no país e solicitou a emissão de um novo passaporte, que foi concedido no dia 29 de setembro.

Segundo fontes diplomáticas ouvidas pelo Metrópoles, não houve checagem adequada por parte de funcionários consulares nem dos adidos da Polícia Federal no México sobre eventuais restrições judiciais contra Apolo. À época, ele já era alvo de medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que incluíam a proibição de deixar o país e de obter novo passaporte, já que o documento original havia sido apreendido em 2023.

Pedido de proteção internacional na Espanha

Com o novo passaporte em mãos, Apolo embarcou para a Espanha, onde solicitou proteção internacional, equivalente a um pedido de asilo político. A análise do pedido está prevista para o dia 16 de abril, segundo informações do UOL.

O erro que possibilitou a fuga só foi identificado pelas autoridades brasileiras em 29 de janeiro, quando o passaporte foi finalmente cancelado. O caso levantou questionamentos sobre falhas nos mecanismos de controle e cooperação entre órgãos diplomáticos e de segurança.

As circunstâncias da emissão irregular do documento e a responsabilidade dos envolvidos seguem sob apuração.

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