Organizações internacionais de direitos humanos acusaram, na quinta-feira (08), as forças de segurança do Irã de atirarem contra manifestantes durante protestos espalhados por todo o país.
Organizações internacionais de direitos humanos acusaram, na quinta-feira (08), as forças de segurança do Irã de atirarem contra manifestantes durante protestos espalhados por todo o país. Segundo ONGs, dezenas de pessoas morreram em diferentes regiões, em um dos dias mais violentos desde o início das manifestações contra o regime iraniano.
A Iran Human Rights (IHR), organização com sede na Noruega, afirma que ao menos 45 manifestantes foram mortos, entre eles oito menores de idade. De acordo com a entidade, a quarta-feira (07) foi o dia mais sangrento desde o começo dos atos, com 13 mortes confirmadas.
Protestos se espalham por todo o país
As manifestações tiveram início no mês passado, em Teerã, impulsionadas pela crise econômica, pela inflação elevada e pela forte desvalorização da moeda local, o rial iraniano. O cenário se agravou após anos de sanções internacionais e enquanto o país ainda enfrenta os impactos do recente conflito com Israel, ocorrido em junho.
O estopim foi o fechamento de um mercado popular na capital, em 28 de dezembro, após a moeda iraniana atingir mínimas históricas. Desde então, os protestos se expandiram e passaram a questionar diretamente a legitimidade do governo islâmico.
Segundo a agência independente Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada nos Estados Unidos, manifestações já foram registradas em 348 cidades e vilarejos, abrangendo todas as 31 províncias do Irã.
Repressão e denúncias de violência
O diretor da Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que a repressão se intensifica diariamente. “As evidências mostram que a repressão se torna mais violenta e mais abrangente a cada dia”, disse. Segundo ele, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2 mil foram presas desde o início dos atos.
A Anistia Internacional também denunciou o uso de “força ilegal” pelas autoridades iranianas e afirmou que tanto manifestantes quanto civis foram mortos ou feridos. Grupos de direitos humanos acusam ainda as forças de segurança de invadir hospitais para deter pessoas feridas durante os confrontos.
A Hrana divulgou imagens que, segundo a entidade, mostram agentes disparando armas de fogo contra manifestantes na cidade de Kermanshah. Em Tabriz e Bandar Abbas, importantes centros econômicos, comércios e bazares foram fechados, conforme vídeos compartilhados por ONGs e ativistas.
Na quarta-feira (07), um policial iraniano morreu após ser esfaqueado a oeste de Teerã, durante a repressão aos protestos, informou a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária.
Governo reage e Trump faz ameaças
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu que as forças de segurança diferenciem manifestantes motivados pela crise econômica de grupos classificados como “desordeiros”. Ele solicitou contenção e afirmou que comportamentos violentos devem ser evitados.
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, declarou que os manifestantes são “nossos filhos” e defendeu o diálogo. Já o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, adotou um discurso mais duro e afirmou que não haverá tolerância com quem, segundo ele, “ajudar inimigos da República Islâmica”, acusando Estados Unidos e Israel de tentativa de desestabilização.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira que poderá agir com rigor caso as autoridades iranianas “comecem a matar pessoas”, afirmando que Washington reagirá “com muita força”. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, condenou o uso excessivo da força contra os manifestantes.
Apagão nacional da internet
A organização Netblocks informou que o Irã enfrenta um apagão nacional da internet. Dados da empresa Cloudflare indicam queda de cerca de 90% no tráfego de dados na noite de quinta-feira, com acesso restrito aparentemente mantido apenas para órgãos do governo e forças de segurança.
Com a internet severamente limitada, a saída de informações do país tornou-se ainda mais difícil. Apagões semelhantes já haviam sido registrados durante os protestos de 2022 e 2023, após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial.
Antes da interrupção do serviço, Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 e figura da oposição no exílio, convocou manifestações em larga escala e alertou que o governo poderia cortar a internet para impedir a circulação de informações.
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