De acordo com as autoridades de saúde de Gaza, mais de 65 mil palestinos foram mortos desde o início da escalada do conflito, há quase dois anos.
O Exército de Israel lançou neste sábado (20) uma nova rodada de panfletos sobre a Cidade de Gaza, ordenando que a população remanescente se desloque para o sul do território. A medida ocorre após o anúncio de que a ofensiva militar contra o Hamas será ampliada, com novos bombardeios e a destruição de alvos considerados estratégicos pelo governo israelense.
A Cidade de Gaza, que antes da guerra abrigava cerca de um milhão de pessoas, permanece devastada por ataques aéreos e terrestres. Segundo moradores, grande parte da população não dispõe de meios para obedecer à ordem de evacuação.
Crianças foram vistas recolhendo panfletos lançados do céu, enquanto relatos no local apontam para um cenário de esgotamento, insegurança e desamparo.
Infraestrutura destruída e deslocamento limitado
O exército israelense afirma ter destruído até 20 edifícios nos últimos 15 dias, acusando o Hamas de utilizá-los como centros de operações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que 50 “torres terroristas” já foram derrubadas na região. No entanto, a destruição sistemática da infraestrutura urbana e o bloqueio à entrada de suprimentos dificultam ainda mais a sobrevivência da população civil.
O fechamento de uma das principais passagens para o norte da Faixa de Gaza, efetivado por Israel na semana passada, restringiu ainda mais o fornecimento de alimentos. O território, submetido a meses de ataques, enfrenta uma crise humanitária marcada pela fome, colapso dos serviços básicos e deslocamento forçado em massa.
A nova rota de fuga determinada por Israel — em direção ao sul — não oferece garantias mínimas de acolhimento. Superlotação, preços abusivos de abrigo e a ausência de logística humanitária dificultam qualquer possibilidade concreta de proteção aos deslocados.
De acordo com as autoridades de saúde de Gaza, mais de 65 mil palestinos foram mortos desde o início da escalada do conflito, há quase dois anos.
